sexta-feira, 3 de julho de 2009

Plenária do Movimento A Plenos Pulmões debate as tarefas do movimento estudantil frente à crise capitalista e a crise da educação

No último sábado, 27/06, cerca de 80 estudantes da USP, UNESP (Marília, Franca, Rio Claro, Araraquara e Rio Preto), UNICAMP, UFRJ, Unifesp, Fundação Santo André, PUC, Mackenzie, Unisantana, além de estudantes secundaristas e de cursinhos populares participaram da Plenária aberta do Movimento A Plenos Pulmões, composto pela LER-QI e independentes.
O debate a partir da mobilização nas estaduais paulistas foi fundamental para a discussão das tarefas que hoje estão colocadas para o movimento estudantil, assim como a necessidade de organizar uma corrente nacional de centenas de estudantes que levante um programa conseqüente na luta pela democratização da universidade, não somente da sua estrutura de poder, mas do seu acesso, superando a atual universidade elitista e racista, e que se alie aos trabalhadores para fazer com que a crise seja paga pelos capitalistas. Debatemos como essa é uma necessidade urgente, não somente em cada luta que vem surgindo, mas também estratégica frente à crise capitalista que vai dar lugar a grandes processos de luta da juventude e dos trabalhadores nacional e internacionalmente.
Claudionor Brandão, diretor do Sintusp, abriu a plenária inserindo a greve da USP como parte da resistência ao projeto neoliberal para a educação, na qual o Sintusp cumpre um papel chave nas estaduais paulistas. Levantou a necessidade da democratização das universidades, mantendo a qualidade e criando vagas para todos os que queriam estudar. Defendeu que essa luta só pode ser conseqüente passando pela necessidade do fim do vestibular, da estatização das universidades privadas, para o que será fundamental a aliança com os trabalhadores, assim como para enfrentar a crise do capitalismo. E terminou colocando a necessidade de que os estudantes se organizem numa corrente estudantil que luta por este programa.
Rafael Borges, membro do DCE da UNESP, deu um panorama geral da greve na UNESP, em especial da greve estudantil que na Unesp atingiu os campus de Marília, Assis e o curso de geografia de Rio Claro, por conta de suas demandas específicas, contra a Univesp, contra a polícia na USP assim como pela necessidade de uma luta unificada para derrubar a reitora da principal universidade do país, a Suely Vilela da USP. Colocou que apesar de que a greve não se estendeu mais profundamente, se constitui uma ampla vanguarda que se prepara para uma luta mais profunda no segundo semestre..
Daniel, estudante da UNESP de Marília, que está há mais de um mês em greve com ocupação, contou como esta luta que, desde o seu início, apóia a greve dos trabalhadores da USP. Expressou também como os estudantes de Marília começam a dar um exemplo quando discutem a necessidade de um programa que dialogue com a maioria da população, explicitando que a greve tem o objetivo de aumentar o número de vagas no ensino superior público com qualidade, rebatendo assim os discursos demagógicos dos governos Lula e Serra de que o ensino à distância vem para “democratizar o acesso” e acusando os que se opõe de elitistas. O esforço neste sentido foi tanto que em alguns jornais da cidade foi publicado que os estudantes estavam em greve pela “estatização das universidades particulares para que todos possam estudar”. Vale lembrar também que o cronograma de atividades da ocupação, divulgado para toda a população, tinha o seguinte tema: “Na greve da UNESP não tem vestibular! Todos podem entrar!”.
Em seguida, Tati, coordenadora do CACH da UNICAMP, apontou como vem se desenvolvendo a greve estudantil na Unicamp. Relatou que os estudantes de Campinas, ao contrário de anos anteriores, começavam uma luta mais profunda na universidade, entrando em greve em solidariedade aos estudantes e trabalhadores da USP, exigindo a contratação de professores e contra a terceirização do trabalho dentro da universidade.
Fechou a mesa Bruno Gilga, estudante independente de Ciências Sociais da USP. Em sua fala Gilga destacou o importante papel que pode cumprir o movimento estudantil frente ao novo cenário aberto com a crise econômica mundial. Relembrou maio de 1968, quando estudantes franceses estenderam seus questionamentos para além dos muros das universidades e, se unindo aos trabalhadores, protagonizaram grandes mobilizações contra a miséria da sociedade capitalista. Neste sentido, enfatizou a necessidade de construirmos o movimento A Plenos Pulmões enquanto uma corrente ampla a nível nacional, para que assim possamos organizar centenas de estudantes que levantem um programa revolucionário para a educação e tenham clara a perspectiva de aliança com a classe trabalhadora para enfrentar a crise e contrapôs essa perspectiva à que foi apresentada pelo PSTU no Congresso Nacional de Estudantes que reuniu estudantes de todo o país para nada mais do que fundar uma entidade por fora da discussão de qualquer conteúdo.
Depois disso as falas foram abertas para todos os presentes da Plenária. As intervenções se mostraram de muita qualidade. Entre muitas coisas, foi ressaltado que, diante do conflito aberto na USP, devemos levantar um programa que realmente leve a uma radical democratização da estrutura de poder universitária, levantando a bandeira do sufrágio universal e gestões que expressem a composição real entre estudantes, funcionários e professores, com maioria estudantil, assim como a necessidade de uma estatuinte livre e soberana. Ligado a isso, decidimos impulsionar o movimento “blusas vermelhas” com estes eixos, que se apresente como alternativa conseqüente ao movimento “blusas amarelas” impulsionado pelo PSOL que não visa mais do que reformas ultra-parciais no regime universitário.
Estudantes das particulares também lembraram que a luta por democracia dentro das universidades privadas deve ser redobrada, já que estes espaços carecem do mínimo de liberdade política e que qualquer tipo de ameaça aos lucros dessas instituições é duramente reprimida. Além disso, reforçamos o rompimento com a lógica de atuação do movimento estudantil de pensar política apenas para as universidades públicas. Foi lembrado que mesmo no ensino superior a maioria dos estudantes, cerca de 75%, está nas universidades privadas, o que mostra que só um programa que levante bandeiras como o fim do vestibular, a redução drástica das mensalidades, a anistia aos inadimplentes e a estatização das particulares é capaz de dialogar com essa imensa massa de estudantes e proporcionar um real aumento de vagas para todos estudarem. Outro ponto tocado, e que teve total apoio entre os presentes, foi a importância e a urgência de estendermos a APP para colégios secundaristas e cursinhos populares.
Deliberamos pela realização de uma campanha conjunta com o grupo de mulheres Pão e Rosas contra a terceirização dentro e fora das universidades. Nos colocamos na tarefa de combater essa forma precária de trabalho, denunciando em todas as universidades e colégios em que estamos as péssimas condições as quais estes trabalhadores, em sua grande maioria mulheres, são submetidos e travando intensas lutas para que os funcionários terceirizados sejam efetivados sem concurso público.
Esta Plenária sem dúvida foi um importante passo na construção do movimento A Plenos Pulmões. A partir do momento histórico em que vivemos temos que nos concentrar na tarefa de construir uma corrente ampla dentro do movimento estudantil que organize centenas de estudantes nacionalmente com a perspectiva clara de se unir aos trabalhadores na tarefa de responder a altura a crise que está diante de nós, fazendo com que a educação e a universidade cumpram uma outra função social, na qual a maioria da população não apenas tenha acesso ao ensino de qualidade, mas que tenha controle do conhecimento produzido e possa dirigi-lo a seus interesses.

Um comentário:

marcelo disse...

pEÇO AOS CAMARADAS QUE EXPLIQUEM A POSIÇÃO DO PSTU E A ANEL, POISS NAO FICOU CLARA NO TEXTO.