sábado, 12 de junho de 2010

“Pagamento dos salários e negociação! Contra o reitor de Serra da PM e repressão! Unidade operário-estudantil! E chega de reitor dialogando com fuzil”


Cerca de 70 estudantes foram à Av. Paulista manifestar seu apoio à greve dos trabalhadores da USP, que hoje enfrenta duros ataques por parte de Rodas, o reitor de Serra na USP. Na semana passada, após mil trabalhadores da universidade sofrerem corte em seus salários por parte da reitoria e as negociações terem sido encerradas, os trabalhadores decidiram ocupar a reitoria contra esta absurda repressão ao seu direito de greve.

Na noite de hoje, 11 de Junho, estudantes da USP organizaram um protesto contra os ataques de Rodas, expressando que há um setor estudantil que está disposto a lutar ombro a ombro com os trabalhadores conta os ataques à educação implementados por Serra e Rodas, que incluem planos de precarização da qualidade do ensino, medidas de repressão às greves e aos lutadores, corte de gastos através de privatização e terceirização, como o próprio Rodas expressou em artigo publicado na Folha de S. Paulo de ontem.

Os estudantes presentes no ato se colocarem em solidariedade tanto à greve da USP quanto à do judiciário, que também sofre o corte de salários por parte do governo Lula, e que seguiu o exemplo dos combativos grevistas da USP ocupando o fórum João Mendes nesta semana. Nas escadarias do prédio da Gazeta chamamos os estudantes da faculdade privada Cásper Líbero a se incorporar ao ato, dizendo, apesar do impedimento de subir as escadas por parte dos seguranças, que a greve da USP luta não apenas contra os ataques à educação, como também pela democratização da universidade, pelo fim do vestibular e pelo direito de todos à educação pública e gratuita.

Somaram-se também a este ato estudantes de outras universidades solidários à greve, como da PUC, Unesp, Unicamp e Fundação Sto. André, expressando outros setores estudantis em luta. Na Unesp de Marília hoje há um processo de luta estudantil, com dois cursos em greve e a diretoria do campus ocupada, que já conseguiu reverter os planos de terceirização do restaurante universitário por parte da reitoria. Da Fundação Sto. André compareceram os estudantes da chapa que concorre ao DA, “Desafiando a miséria do possível”, que recentemente encabeçaram a luta em defesa das trabalhadoras terceirizadas da cantina em sua universidade.

O ato, após sair do prédio da Gazeta, fechou uma faixa da Av. Paulista e seguiu em marcha com cartazes, realizando cortes no trânsito da via. Juntos cantamos palavras de ordem como: “Pagamento dos salários e negociação! Contra o reitor de Serra, da PM e repressão! Unidade operário-estudantil! E chega de reitor dialogando com fuzil!”. Seguimos até o Fórum, onde cantamos em solidariedade aos trabalhadores do judiciário em greve: “Ô judiciário, estamos aqui contra o corte do salário!”. Celso, trabalhador da USP e delegado do comando de greve, fez uma fala saudando os estudantes presentes no ato em nome dos trabalhadores da USP.

Acreditamos que este ato, impulsionado pelos militantes do Movimento A Plenos Pulmões, do Grupo de Mulheres Pão e Rosas e da Liga Estratégia Revolucionária, ainda que pequeno, expressa que os estudantes podem fazer a diferença ao se colocar em luta ao lado dos trabalhadores. É necessário seguir lutando para que o movimento estudantil tome as bandeiras de luta dos trabalhadores e esteja ombro a ombro com eles contra Serra e Rodas, como tem feito os estudantes de Marília que nos mostram que é possível deter os ataques que vem sendo implementados. Seguiremos junto aos trabalhadores da USP, das estaduais paulistas e do judiciário contribuindo com todas as nossas forças para que estes conflitos possam ser vitoriosos.

Veja a cobertura do ato na mídia:

G1 - http://bit.ly/9YkFZx

Folha Online - http://bit.ly/9xMaea

Estadão online - http://bit.ly/9iCHB3

Terra - http://bit.ly/djhPPI


Entrevista com B-Negão sobre o Festival de Greve ocorrido na USP: "Espero realmente que esse movimento cresça"

O jornal Palavra Operária (JPO) entrevistou B-Negão, após o Festival de Greve realizado na última terça-feira, 08/06, organizado por estudantes do Movimento A Plenos Pulmões, grupo de mulheres Pão e Rosas em conjunto com diversos Centros Acadêmicos da USP, como uma manifestação política e cultural em apoio à greve dos trabalhadores da universidade. Os fundos arrecadados no Festival destinaram-se ao Fundo de Greve dos trabalhadores.

JPO: O que você achou do festival?

Achei clássico, emocionante ter participado. Espero ter cumprido o papel que era trazer estudantes para junto, para saberem o que está acontecendo e se engajarem na missão. Fiquei felizão de ter participado disso e contribuir para isso. O festival foi clássico.

A galera que cantou, muito bons. O cara do som fez o que pode.... E uma parada clássica também, musicalmente falando, toda vez que venho na USP tenho umas surpresas muito boas. Fico feliz sempre que vejo uma banda boa, fico felizão. Em 2007, também no passado conheci o Coletivo Radiola, muito bom também. Este ano conheci a Mara que arrebentou e o Rafael Castro e os monumentais, muito bom, espetacular, impressionante.

JPO: A galera ficou cantando o “B Negão voltou”. Você ter voltado na luta aqui está ligado a uma concepção sua de arte?

Quem me conhece sabe que eu tenho ligação ativista desde sempre. Vem da minha própria criação mesmo. A única coisa que eu preciso é tempo, que é uma parada que sempre falta pra mim. Eu abri uma janela aí no meio de um mar vermelho de compromissos para vir. Esse ano já foram mais de 60 shows. Essa semana agora tá do mesmo jeito. Cantei domingo de noite, segunda teve ensaio de horas, terça vim prá cá, agora tenho show com a Elza Soares. Amanhã vou pro Ceará e chegando lá pego ônibus de 6 horas pra chegar em Jeriquoquara. Mas eu sempre tento dar um jeito.

JPO: Você ficou sabendo que os trabalhadores estão com corte de ponto e tudo mais. O que você acha da política do PSDB e da reitoria com o movimento?

Na verdade verdadeira, quem conhece estes caras, estes mandantes, o Serra, esse reitor, não se espanta. Como diria o Dunga, eles tem uma coerência (risos). Eles estão fazendo o papel deles, de nego conservador, direitão, que acham que esse é o caminho bizarro que tem que ser seguido. A gente tem que fazer o nosso que é se contrapor a isso. Espero realmente que esse movimento cresça, pra nego ver como é que funciona a história do cara. Esse escândalo da faculdade de direito na gestão dele todo mundo tem que saber. Pra verem qual é o lado que tá com a razão, que precisa ser contemplado, que tá brigando por um direito legítimo, nada de excepcional. É o mínimo do mínimo.

JPO: Conta um pouco da sua trajetória para quem ainda não conhece e onde você vai tocar no próximo período.

Meu pai era ativista na ditadura militar. Foi quase padre. Era cobrador de ônibus, pugilista, entrou na faculdade de direito justamente em 64 e lá virou ativista contra a ditadura, não foi nada planejado. Tive uma criação assim, com meu pai lendo os jornais, me explicando as coisas desde cedo, na cozinha quando agente almoçava junto, jantava junto. Aí eu comecei a fazer música, que eu sempre gostei. O que me deu vontade de começar a fazer música foi o rap em 82, depois o punk rock em 87, quando eu ouvi pela primeira vez alguém falando o que eu tinha vontade de ouvir e falar. Depois quando chegou o rap aqui no Brasil, com o Thaíde, a galera e tal, o Cultura de Rua, depois de um tempo o Racionais e toda a galera que veio depois. Aí quando eu vi o Public Enemy me deu vontade de realmente fazer isso fora de casa, porque é uma junção acho que perfeita do rap e do punk rock. E aí fui fazendo. Quando eu percebi depois de anos, tava vivendo disso, vi que dava para ganhar um dinheiro e sustentar a família. E to fazendo um monte de coisas. Gravei 4 discos com o Planet Hemp, que venderam um milhão de cópias. Depois decidi cantar de forma independente e agora tá saindo o segundo disco. Vai ter o show dia 18 agora no Mistura SP, na Rua Augusta. Um lugar clássico de São Paulo.

JPO: Você já teve outras vezes que você tocou ligado aos movimentos?

Já toquei em marcha em Brasília, tenho um projeto em presídio, por aí vai. Tô ligado na história do Batistti também. No movimento passe livre também, que é importante e conseguiu coisas em Brasília e tá brigando bastante em Florianópolis.

JPO: Infelizmente hoje em dia os artistas fazem muito pouco isso. O que você acha que acontece no campo da arte que leva a isso?

Realmente eu não sei. Inexplicável. Só perguntando pra eles. Não vejo qual seria o problema de disponibilizar um tempo, sem cobrar grana, da galera que tá precisando. Mas cada um cada um. Só perguntando pras pessoas mesmo, mas eu não entendo muito não.

JPO: A PM tá reprimindo tão absurdamente o povo que agora até dentro da USP ela entrou ano passado. O que você acha disso?

É o braço do estado clássico. Nasceram pra reprimir. Na base da ignorância praticamente certa. Quando você vê um policial que não age na base da ignorância dá até um susto. Eu vi poucas vezes. Eles são criados pra isso, tipo um pit-bull, botam a carne lá, pro bixo morder, pular. Agora até rolou uma parada aí dos caras da polícia porque mataram um cara no treinamento afogado, saco. Imagina. O cara morreu, mas se o cara sobrevive, o cara ia sair revoltadasso também. Essa é a criação. A parada é feita pra isso. E o governador falou que é assim mesmo que tem que ser, que foi uma fatalidade, mas se não for assim a PM não fica boa. No RJ também a polícia é déspota, sem preparo nenhum, vão fazendo as merda, vários casos de espancamento. Ficam falando que pacificou, mas não é assim.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Festival pelo direito de greve expressa grande apoio à luta dos trabalhadores da USP

Por Movimento A Plenos Pulmões e Pão e Rosas



Ontem à noite, após o primeiro dia da reitoria da USP ocupada pelos trabalhadores contra a repressão ao seu direito de greve e o corte de pontos de 1000 trabalhadores da USP, mais de mil pessoas compareceram ao Festival de Greve, organizado pelo Movimento A Plenos Pulmões e o Grupo de Mulheres Pão e Rosas em parceria com diversas entidades estudantis da USP.

B-Negão marcou presença, como já havia feito durante a ocupação da reitoria da USP pelos estudantes em 2007 e também na greve de 2009, demonstrando seu apoio à luta dos trabalhadores da USP. O Coletivo Sonoro Radiola abriu o festival com seu show, e após o B-Negão também cantou Mara Onijá, que está de volta à USP após ter cantado em 2004 e 2009 nas duas edições do Hip-Hop ocupa USP.
A expressiva participação de estudantes da USP e de jovens de diversos lugares, como a chapa "desafiando a miséria do possível" que concorre ao DA da Fundação Sto. André, mostra que é possível sim romper a passividade e colocar os estudantes em apoio ativo à greve dos trabalhadores da USP e à ocupação da reitoria, como aconteceu ontem e como acontece na Unesp de Marília, onde os cursos de Filosofia e Ciências Sociais estão em greve e há uma ocupação da diretoria, realizada pelos estudantes que se colocam em luta ao lado dos trabalhadores das três estaduais paulistas.

Todo apoio à ocupação da reitoria e à greve dos trabalhadores da USP!

Abaixo a repressão! Pelo direito de greve e pela reintegração de Brandão!

Por um movimento estudantil combativo e aliado aos trabalhadores!

Apoio dos CAs de Rio Claro às ocupações da Unesp e USP

Reproduzimos abaixo moção do Conselho de Centros Acadêmicos da Unesp de Rio Claro em apoio às ocupações da diretoria da Unesp de Marília e da reitoria da USP:

Todo apoio à greve e ocupação na USP!!!

O Conselho de Centros Acadêmicos da Unesp campus de rio Claro vem manifestar total apoio à ocupação da reitoria da USP por trabalhadores/as e estudantes. A luta dos trabalhadores das estaduais paulistas é legítima, e o apoio dos estudantes é fundamental para que se concretizem as reivindicações das categorias. A luta se processa em resposta às medidas das reitorias ao quebrarem a isonomia salarial entre professores e funcionários, ao avançarem cada vez mais na terceirização, ao implementarem a cada dia planos e políticas que sucateiam o ensino público, tal como o Plano de Desenvolvimento Institucional, na Unesp, ao reprimirem o direito de greve dos trabalhadores e estudantes, fazendo ameaças e efetivando o corte dos dias de piquete e colocando a polícia para massacrar as manifestações.

A repressão dos movimentos vêm se acentuando. Nessa semana completa-se um ano em que a USP foi invadida por policiais militares. Como se não bastasse a entrada da polícia no campus, para acabar com o direito de greve e mobilização das categorias, nesse ano o reitor da USP publicou uma nota informando que o sindicato seria cobrado por dia de piquete. A repressão e perseguição política vêm tomando formas diferentes a cada momento de luta.

A ocupação da reitoria da USP e do COSEAS, a ocupação da direção na Unesp campus de Marília e a greve dos trabalhadores/as das estaduais paulistas devem ser exaltados. Perfazem processos de luta que vêm se intensificando, assim como a unidade entre as categorias.

Nós estudantes nos solidarizamos à ocupação da reitoria. Pelo fim da perseguição política e pelo direito pleno de greve! Pelo fim da terceirização e pela contratação dos trabalhadores/as terceirizados/as, sem concurso! Por moradia e bolsas auxílio que atendam à demanda! Pelo aumento salarial dos funcionários/as! Por um ensino de qualidade e gratuito à todos!

Todo apoio à ocupação da USP, que a luta seja incorporada a cada dia por mais setores!


Assinam essa moção: Comitê pró DA, Centro Acadêmico da Geografia, Centro Acadêmico da Física, Centro Acadêmico da Ecologia e Centro Acadêmico da Biologia

Charges e moção de apoio do cartunista Carlos Latuff à ocupação da diretoria da Unesp de Marília



Há poucos dias um estudante portoriquenho me solicitou algumas charges em apoio ao movimento que ocupava a Universidad de Puerto Rico. Me chamou atenção que os estudantes de lá lutam praticamente pelas mesmas coisas que os estudantes daqui de São Paulo, Rio ou Brasília, o que me leva a uma conclusão óbvia.

O princípio da privatização/terceirização das universidades públicas não só é uma política de estado aqui como também uma tendência na América Latina. E o que se passa na UNESP de Marília não é diferente. Mais uma vez temos a figura do reitor, no caso o sombrio Sr. Herman Jacobus, mais uma correia de transmissão dessas políticas que tentam mercantilizar o conhecimento. E mais uma vez temos estudantes e trabalhadores se levantando contra isso.

Deixo aqui portanto meu apoio a esse movimento em defesa do ensino público.

Que se espalhe para cada universidade desse país.

Reitoria da USP OCUPADA pelos trabalhadores em luta!

O reitor interventor de Serra na USP, João Grandino Rodas, mostrou até onde está disposto a seguir para tentar acabar com a combatividade dos trabalhadores da USP e de seu sindicato, Sintusp, que hoje, junto aos setores combativos do movimento estudantil das estaduais paulistas, são o maior obstáculo para a implementação dos projetos do governo nas universidades: na segunda-feira a reitoria efetivou a ameaça que vinha fazendo desde o dia 4 de Maio, e cortou o pagamento de 1000 trabalhadores da universidade. Esta medida, como já divulgamos aqui, foi considerada arbitrária e ilegal até mesmo por órgãos da própria USP, como a congregação da Faculdade de Direito, que votou o parecer do professor e juiz do trabalho Jorge Luiz Souto Maior, que declara a ilegalidade deste ato, e a congregação da FFLCH.

A implementação deste corte de ponto constitui um ataque absurdo ao direito de greve e de organização política dos trabalhadores da USP, como são as multas que o Sintusp recebe e a ilegal demissão de Brandão. Mas os trabalhadores da USP mostraram ontem que não estão dispostos a serem intimidados pelos ataques de Rodas e responderam à altura: ontem de manhã ocuparam o prédio da reitoria da USP, exigindo a imediata reabertura de negociações e o pagamento dos dias descontados dos 1000 funcionários.

O Movimento A Plenos Pulmões, como tem feito desde o começo desta importante greve, esteve ontem ombro a ombro com os trabalhadores da USP e ocupamos a reitoria junto a eles. Durante o dia estivemos em diversos cursos da universidade divulgando a ação realizada pelos trabalhadores e chamando os estudantes a prestarem solidariedade ativa à greve e ocupação. A primeira medida efetiva desta solidariedade se demonstrou ontem à noite, quando mais de mil pessoas compareceram ao festival pelo direito de greve, contra a repressão e pela reintegração de Brandão. Este evento foi organizado pelo Movimento A Plenos Pulmões, o Grupo de Mulheres Pão e Rosas e também recebeu o apoio de diversos centros acadêmicos e da assembleia geral de estudantes da USP. B-Negão, Mara Onijá, Coletivo Sonoro Radiola e outras bandas estiveram presentes demonstrando sua solidariedade aos trabalhadores em greve. O dinheiro arrecadado será revertido para o fundo de greve dos trabalhadores. Em breve divulgaremos fotos do festival de ontem.

Estivemos e estaremos até o fim ao lado dos trabalhadores da USP em sua luta contra a quebra da isonomia salarial, pelo direito de greve e em defesa da educação.

Todo apoio à ocupação da reitoria!

Pelo direito de greve e pela isonomia salarial!

Contra a repressão e a criminalização dos lutadores!

Pela reintegração de Brandão!

Por uma educação gratuita para todos e a serviço dos trabalhadores e do povo pobre!