segunda-feira, 21 de junho de 2010

Diante da intransigência de Rodas, trabalhadores mantém a greve e ocupação!

Trabalhadores da USP votam pela manutenção da greve e ocupação na assembleia de hoje

Com a força de sua greve, os trabalhadores da USP colocaram a reitoria novamente à mesa de negociações. A reitoria mudou o local da negociação do prédio da FUSP (Fundação da USP, em frente à portaria principal da universidade, onde têm se escondido boa parte da burocracia) para a sede do Cruesp na rua Itapeva, por medo de enfrentar a manifestação dos trabalhadores em greve.
Os trabalhadores levaram à negociação uma nova proposta tirada em sua assembleia, de exigir uma referência na carreira, o que equivale a um aumento de 5%. A reitoria, na reunião, disse que pagaria os dias parados quatro dias após o retorno ao trabalho, porém não mostrou disposição de conceder os 5%. Avisou que esta negociação só poderia ser feita após o fim da greve. Como se sabe, a greve é o instrumento de pressão que os trabalhadores possuem para exigir da reitoria suas reivindicações. Se a reitoria não se mostra disposta a conceder e diz que "só depois da greve", cabe aos trabalhadores fortalecerem seu movimento para obter suas reivindicações. É esta disposição de luta que os trabalhadores da USP mostraram em sua assembleia de hoje, realizada em frente à portaria principal da universidade. Como disse Brandão, em fala publicada no portal IG, se for necessário a greve poderá seguir até agosto para quebrar a intransigência de Rodas.

Fortalecer a greve e a ocupação! Todo apoio à luta dos trabalhadores da USP!

Atividades culturais da reitoria: show de bandas e festa junina

Festa junina dos trabalhadores da USP

Na última sexta-feira, 18/6, duas atividades culturais movimentaram a ocupação da reitoria da USP. Pela manhã ocorreu a festa junina organizada pelo Comando de Greve dos trabalhadores, com muitas música, comida e bebida em frente à ocupação. No final da tarde, os estudantes reunidos na Comissão de Cultura da Reitoria organizaram shows com bandas, onde se reuniram cerca de cem estudantes.

Fim de tarde musical na Praça das Barricadas

Toda a arrecadação dos dois eventos foi revertida para o fundo de greve dos trabalhadores. Acompanhe a programação cultural da reitoria no blog reitoriaocupada.blogspot.com ou seguindo no twitter @reitoriaocupada.

Debate e exposição sobre o Haiti na ocupação da reitoria da USP


Na última quinta-feira, 17/6, a Comissão de Cultura da ocupação da reitoria da USP organizou um debate sobre o Haiti. A iniciativa foi motivada não apenas pelo fato gravíssimo da ocupação militar em curso neste país, que é feita pelas tropas da ONU e comandada pelo exército brasileiro sob o comando de Lula, mas também pelas declarações feitas por Rodas na sua entrevista à rádio bandeirantes, de caráter extremamente preconceituoso, racista e elitista, em que o reitor afirma que o Sintusp está transformando a USP nos morros cariocas e que, se as coisas permanecerem como estão, logo a USP se transformará em um Haiti.

Estudantes presentes no debate veem as fotos do Haiti

Assim, a Comissão de Cultura resolveu fazer um debate sobre o Haiti. Estiveram presentes Lúcia Skromov, do comitê pró-Haiti, e Simone Ishibashi, editora da revista Estratégia Internacional. Lúcia ressaltou como a opinião de Rodas reflete profunda ignorância a respeito da história e da cultura do povo haitiano. Destacou aspectos pouco conhecidos no Brasil sobre este país, que teve a oportunidade de conhecer em suas viagens pelo comitê. Lúcia esclareceu, por exemplo, como foram os haitianos que ensinaram a agrônomos estrangeiros que foram ao país que a rotatividade de culturas em um solo pode preservar a qualidade e evitar o desgaste da terra. Falou também sobre a economia haitiana, sobre a solidariedade que há entre seu povo, e como, apesar de mais de um século de opressão imperialista sobre o país, os haitianos são capazes de se organizar de modo excepcional para suprir as suas necessidades que o governo, marionete dos interesses do imperialismo, não é capaz de atender. Um dos episódios relatados por Lúcia foi o do extermínio de todos os porcos do Haiti, uma base econômica e alimentar importante para seus moradores, por parte do imperialismo americano.
Lúcia Skromov no debate

A apresentação de Lúcia foi fundamental para resgatar a tradição de luta deste povo, que foi o primeiro país a abolir a escravidão através de uma revolução negra que declarou sua independência e que foi capaz de derrotar as temidas tropas de Napoleão Bonaparte. Por isto, como foi colocado no debate, os trabalhadores da USP reivindicam sim a luta do povo haitiano e se colocam ao seu lado na luta contra a opressão imperialista e pela retirada das tropas de Lula e de Obama. No ano passado, durante sua greve, já haviam organizado um debate com um dirigente sindical haitiano em que afirmaram sua solidariedade ao povo do Haiti.

Estudantes veem exposição e ouvem explicações de Lúcia

Além do debate, Lúcia levou diversos materiais, como fotos e produtos haitianos, com os quais foi organizada uma exposição dentro da reitoria. Parte da exposição ainda encontra-se montada para visitação dos ocupantes. Participaram também deste debate vários estudantes da Unesp de Marília que, após encerrarem a ocupação de sua diretoria com a notável conquista de barrar a terceirização do restaurante universitário, vieram para São Paulo prestar solidariedade ativa à greve dos trabalhadores da USP, dando um exemplo a todas as correntes de esquerda e ao movimento estudantil da USP.

domingo, 20 de junho de 2010

Poema

carta desesperada
por: Thyago Vilella


Anita
a poesia perdeu para a fome.

(meus olhos fixos divididos
entre
o preço do açúcar
e
a manhã convulsiva de teus cachos)

Anita, todos os dias eu acordo entretido.
Todos os dias eu leio a boca dos burgueses da cidade de São Paulo.
Quatroze de junho do ano de dois mil e dez, Anita,
e eu não consigo pensar em nada que não o preço do açúcar.

O preço do açúcar, Anita!
melhor seria o teu gosto creme,
tuas omoplatas em fúria,
tua lingua vermelha destravada!

Pensar ao menos na tua falta.
no teu corpo deitado manso chiando um blues.

mas as bocas me resvalam:
a saudade não se mede em reais, rublos ou dólares:
não é tempo de saudade, mas de pensar no preço do açúcar.

O preço do açúcar, Anita, mas não, nem isto:
qualquer resto que sacie a minha carne.
não engulo ônibus, prédios ou parques vazios.

(Não esquecer: os supermercados são desertos de excesso.)

A capital do país urra:
É terminantemente proibido comer!
Qualquer cidadão apanhado em estado de greve será fuzilado de fome!

Dinheiro.
que indelicadeza tratar de dinheiro numa carta!
mas acontece, Anita,
que sem carne não há saudade e nem vida.
e acontece mais, Anita,

A poesia perdeu para a fome.

ps: (antes do beijo e da despedida, espera, Anita):
intuo que da pedra fiz um verso.

Resposta ao manifesto dos ex-reitores

Reproduzimos abaixo o texto do Sintusp em resposta ao
manifesto escrito pelos ex-reitores da USP:


João Grandino Rodas, num debate enquanto candidato a reitor da USP realizado na ECA (Escola de Comunicação e Artes), respondendo à pergunta de um funcionário sobre como seria sua relação como reitor com o sindicato dos trabalhadores, disse: "Como uma briga de galo, quem tiver a espora maior vencerá".

É sabido que nas deploráveis e cruéis brigas de galo, o animal derrotado geralmente sai morto. Fica claro o objetivo de Grandino Rodas com o seu discurso terrorista, como nos 27 minutos da entrevista dada à rádio Bandeirantes, em que nos acusa de ter transformado a USP numa terra de ninguém, num "morro do Rio de Janeiro que pode virar um Haiti".

Rodas busca respaldo político para tentar destruir a organização sindical dos trabalhadores e seus dirigentes.

Rodas fala de violência e da ilegalidade citando portas quebradas após deixar mais de mil trabalhadores e suas famílias sem salário, consequentemente à mercê da fome por exercerem o direito de greve.

Falar em baixa representatividade diante de um reitor indicado por um governador que desrespeitou o próprio resultado da eleição realizada pela burocracia acadêmica, o que não ocorre desde o fim da ditadura militar, é simplesmente ridículo.

É interessante o documento dos reitores citar a luta pela democratização, enquanto os mais velhos dentre nós, sindicalistas hoje do Sintusp, fomos parar nos porões da ditadura, inclusive por tentar organizar os trabalhadores. Não lembramos destes senhores naquele momento da importante luta democrática.

Para concluir, se não temos representatividade, como se explica uma greve na qual, só de duas unidades da administração direta, temos mais de mil trabalhadores com salários cortados, além de centenas de outros de Ribeirão Preto e São Carlos?

A farsa do diálogo de Rodas tenta esconder a sua verdadeira face truculenta, demonstrada quando usou a Tropa de Choque contra estudantes da Faculdade de Direito em uma ocupação simbólica durante a madrugada.

É importante lembrar que a própria Congregação da Faculdade de Direito condenou por unanimidade seu ataque aos trabalhadores ao cortar os salários por estarem em greve.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

HOJE: Fim de tarde musical em frente à reitoria!

Haverá quentão e cerveja. A arrecadação será revertida para o fundo de greve dos trabalhadores da USP.
Para acompanhar a programação cultural da reitoria, acesse: http://reitoriaocupada.blogspot.com/
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