domingo, 13 de abril de 2008


jOrNaL a PlenOs PuLmÕeS no. 8 – Abril de 2008



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Levantar o movimento estudantil nacionalmente com as demandas da UnB!

A ocupação da reitoria da UnB já se tornou uma referência para os estudantes de todo o país. Queremos transformar a UNB numa nova USP, que impulsionou a mobilização mais forte das estaduais paulistas (USP, Unesp e Unicamp) dos últimos anos, com greves e ocupações, que se espalharam como um rastilho de pólvora em todo o país. É por ver esse perigo que o famigerado Thimothy logo no começo já ofereceu migalhas para se manter junto com sua camarilha corrupta no poder. A mesma manobra da reitoria da USP! Mais uma vez os estudantes disseram um grande NÃO e ampliaram a ocupação!
O passo à frente que deram os estudantes da UnB foi levantar a bandeira da luta contra a corrupção, que é do conjunto da sociedade, além da democratização da universidade e o fim das fundações que são problemas vividos nas universidades em todo o país. É por isso que dizemos: SOMOS TODOS UnB e chamamos os estudantes de todo o país a se colocarem em movimento por essas mesmas demandas! A UFMG já fortaleceu essa perspectiva de enfrentamento e ocupou a reitoria contra mais uma invasão da PM na universidade, que também não podemos mais agüentar! Basta, é o momento de passar à ofensiva!
A ocupação da USP foi o primeiro divisor de águas entre o velho e o novo movimento estudantil (ME): o velho ME influenciado e controlado pelas antigas direções do PT e do PCdoB (da UNE, em particular), que traíam nossas lutas a partir de uma estratégia conciliadora de negociar com a burocracia acadêmica e os governos para apresentar migalhas como se fossem vitórias, mas nada se mudava no caráter e na estrutura de poder da universidade. No ano passado, o novo se expressou nas lutas por fora do controle destas antigas direções burocráticas e na radicalização no método.
Agora, apontamos a radicalização política nas demandas, não somente nos defendendo dos ataques para manter a universidade tal como é, mas levantando demandas ofensivas que golpeiam o regime universitário autocrático e que são do conjunto da população. A Unb coloca como alvo central os que mantém a universidade elitista e racista: essa casta de burocratas privilegiados que sugam o sangue da comunidade da universitária, o dinheiro das fundações para manter seus privilégios e estão transformando em norma mandar polícia para cima de estudante. É por isso que não podemos recuar frente a qualquer tentativa de desvio que pode vir com um “afastamento” do reitor ou uma “estatuinte” farsa (como fizeram na USP) para tentar fechar a mobilização. Temos que levar até o final a luta por derrubar o reitor e a estrutura de poder antidemocrática pela força da mobilização, impondo um Congresso Estatuinte verdadeiramente soberano e sem burocratas acadêmicos.
O fato de estampar a todo país a corrupção e as relações promíscuas com as fundações numa das principais universidades do Brasil faz a luta dos estudantes ganhar apoio da sociedade. Aqueles que assistem dia a dia as CPI´s “terminarem em pizza”, vêem agora o combate à corrupção com a força da mobilização direta. É por isso que já começam a se preocupar senadores, ministros e até mesmo Lula! É bom mesmo.... e o pior é que alguns deles querem agora aparecerem como nossos grandes aliados! E quem é que mandam para a ocupação? Justamente aqueles que são vistos como os incorruptíveis como Cristovam Buarque, Eduardo Suplicy e Chico Alencar. Nada mais engenhoso para desviar uma luta direta contra a corrupção.
Os destinos da ocupação e sua vitória dependerá das estratégias adotadas dentro e fora da Unb pelo movimento estudantil. Duas questões de enorme importância já estão colocando a necessidade de aprofundar sobre qual é a perspectiva que o ME tem que adotar: o “apoio” dos parlamentares e como são feitas as negociações. Não podemos ter ilusão que da mão de parlamentares vão vir a solução dos nossos problemas. Menos ainda sendo parte dos que apóiam o governo Lula. Só podemos confiar nas nossas próprias forças e na mobilização direta. E mais, não podemos permitir nenhum tipo de negociação à portas fechadas, para impedir que entreguem a nossa luta. Cada hora sai uma nova notícia de negociação com novas instituições e personalidades. O movimento deve tomar para si o controle dessas negociações, exigindo que sejam públicas e com representantes eleitos em assembléia e rotativos.
Nós, do Movimento A Plenos Pulmões, estamos apoiando essa luta e buscando levar à frente essa política independente em todos os lugares onde estamos, a partir das lições que tiramos das lutas do ano passado, em especial da USP onde cumprimos um importante papel. Nos comprometemos a fazer a nossa parte para levar à frente essa perspectiva.
Viva a luta dos estudantes da UnB!

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Confiemos somente em nossas próprias forças!
Por uma Comissão de Investigação Independente contra a corrupção!
Nenhuma ilusão nos parlamentares e na UNE!
Por negociações públicas e com representantes rotativos!


A força da luta da UnB até agora foi por causa da mobilização direta dos estudantes, que é a única via para resolver nossos problemas. É para tentar nos desviar desse rumo que, preocupados com o fortalecimento do nosso movimento, começam a aparecer “aliados” de todos os lados, pipocam reuniões de negociação aos quatro cantos e querem nos fazer acreditar em CPI para punir alguém.
Em primeiro lugar, os parlamentares e suas CPI´s já demonstraram que não podem punir nenhum corrupto. Precisamos desde já construir uma Comissão de Investigação Independente, composta por estudantes, professores, funcionários e outras organizações que se coloquem favoráveis à nossa luta. Só uma comissão assim pode punir exemplarmente o Thimothy e todos os burocratas acadêmicos corruptos e repressores desse país.
Devemos ficar alertas quando a UNE, que se colocou contra as ocupações e lutas em todo o país no ano passado se diz apoiar nossa luta. Sempre quando faz isso, é a primeira a sentar para negociar pelas costas dos estudantes. Na USP, ela se reuniu com a reitoria escondida e soltou uma nota de repúdio à ocupação. Não nos enganemos!
A UNE também é a primeira a trazer representantes do Estado para “facilitar a negociação”. Na luta da UnB já estão presentes a OAB, senadores, governo, políticos..... a UNE se coloca ao lado dessas instituições e personalidades que há uma importante parcela dos estudantes que acredita para ir cavando seu espaço e ganhando autoridade no movimento. São essas mesmas instituições e políticos que garantem todos os privilégios desses burocratas da UNE. Não acreditemos em todos os “aliados” que vão surgir. Se são de fatos aliados, devemos exigir que sigam somente as resoluções das assembléias e apóiem as nossas demandas. Não devemos aceitar que nenhuma entidade ou pessoa fale em nosso nome e promova reuniões de negociação sem nossa autorização prévia nos fóruns do movimento. Precisamos controlar as negociações exigindo negociações públicas e com representantes rotativos.
E devemos tomar cuidado para não permitir que desviem a nossa luta. Por exemplo, já estão se delineando algumas saídas para eles (que são “becos sem saídas” para nós) que querem conter nossa perspectiva independente. Uma delas é “sugerir” o afastamento do reitor, negociado com ele mesmo, em troca de uma farsa de “investigação” na CPI que “termine em pizza” por não ter nenhum controle da comunidade universitária. E o outro, é deixar até mesmo que ele fique (!!!!), desde que a reitoria conceda um Congresso Estatuinte. Foi exatamente a manobra que a reitoria da USP fez! Permitiu um congresso que tende a se transformar numa farsa a partir do momento em que se desmonta a mobilização.

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Sigamos o exemplo dos estudantes franceses que foram vitoriosos com a auto-organização!
Ligar as ocupações às salas de aula e à base dos estudantes!
Por um Encontro Nacional de Delegados de Base!

As ocupações do ano passado tiveram uma limitação em conseguir se ligar organicamente aos estudantes em sala de aula. As assembléias são importante organismos de decisão, porém, quanto mais se amplia o movimento, mais se tornam comícios anti-democráticos. Esse foi um problema que enfrentamos na USP e em várias ocupações pelo país. Não podemos cometer o mesmo erro agora. Precisamos impulsionar desde já a auto-organização, com discussão em sala de aula e eleição de delegados (representantes) para um comando democrático em cada universidade. Assim, o conjunto dos estudantes toma em suas mãos as decisões sobre os rumos do movimento e elege seus delegados que são mandatados e revogáveis se não respeitam as deliberações dos estudantes em cada sala de aula.
Também tivemos no ano passado o problema que cada universidade lutou isolada. A auto-organização se coloca como uma tarefa mais urgente se nosso objetivo é unificar o ME nacional pela base. Foi assim que fizeram os estudantes franceses que derrotaram em 2006 o CPE (Contrato do Primeiro Emprego) que organizaram um grande Comando Nacional de Greve com delegados eleitos a partir das faculdades em luta em todo o país.
É para apontar essa perspectiva que defendemos que a UnB chame os estudantes de todo o país a um Encontro Nacional de delegados eleitos nas assembléias de base para votar um programa capaz de mobilizar o movimento estudantil em todo o país e ganhar o apoio da sociedade.

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Fora as fundações privadas das universidades!

Desde os anos 1990, as fundações privadas se proliferaram e têm sido uma via de captação de recursos privados a partir da venda do conhecimento produzido nas universidades, pela prestação de consultorias às empresas por professores, pesquisadores e estudantes vinculados às universidades, que deveriam ter dedicação exclusiva a instituição pública. Além disso, as fundações também se tornaram uma das vias de precarização do trabalho nas universidades, promovendo a terceirização.
Nas reformas universitárias aprovadas pelo governo Lula e apoiadas pela UNE, UJS/PcdoB e PT, as fundações foram legalizadas e regulamentadas. Desta forma, uma camada de professores da universidade, a que nós denominamos de burocracia acadêmica, se enriqueceu devido a esta relação empresarial que estabeleceram com os grandes monopólios capitalistas. Uma das reformas de Lula, por exemplo, aprovou uma lei que permite a todo professor romper sua dedicação exclusiva para prestar, durante alguns anos, consultoria às empresas ou abrir seu próprio negócio.
Por esta via entendemos porque hoje o REUNI vem sendo defendido por essa burocracia de professores. Como toda lógica mercantil, é por meio das fundações que se proliferaram a corrupção dentro das universidades. A demanda dos estudantes por abrir os livros de contabilidades destas fundações pode ser uma importante tática para denunciar como se processam os lucros e a corrupção nestes meios. Mas não podemos nos iludir com as proposta defendidas pelos governistas e setores do ME, de se limitar a exigir “transparência” nas contas das Fundações.
Para nós Fundação é sinônimo de privatização da universidade e nossa luta é pelo seu fim.

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Contribuição de Gilson Dantas
ex-aluno da UnB, coordenador do Instituto Karl Marx de Brasília.


1 – primeira impressão sobre o atual movimento de ocupação da UnB
2 – primeira comparação com 68
3 – perspectivas que vejo para esse movimento.

1 - A tradição recente do movimento estudantil aqui em Brasília é a de um movimento conduzido por uma UNE praticamente estatizada, chapa-branca, que evita – como o diabo a cruz – estimular experiências de mobilização direta e de democratização do movimento, isto é, de experiências de luta a partir da sala de aula.
Nesse sentido, a primeira boa impressão desta experiência atual da ocupação da reitoria da UnB é, por um lado, tremendamente positiva, ou seja, estamos diante de estudantes de base e de destacamentos bem combativos que se lançam a uma experiência de métodos de luta e confronto direto com o Estado em um nível que não se via desde os anos 70. E que vão ganhando auto-confiança, capacidade de iniciativa, experiência de que podem decidir, dirigir iniciativas de combate contra o Estado.
Mas por outro lado, vigora uma evidente falta de experiência de combate programático e ao mesmo tempo de escassas iniciativas de busca de pontes com a população pobre. Ou seja, falta total de busca de coordenação política com a população trabalhadora.
Não é culpa das bases: estas, ao contrário, tiveram a coragem de ocupar uma reitoria enfrentando o governo diretamente. E, em grande medida, por cima das próprias direções, dispostas a conciliar politicamente. Este é, aliás, o maior risco que o movimento corre. Em suma, o que temos é um enorme potencial de luta que esbarra na burocratização das últimas décadas, das direções estudantis. Tanto isso é verdade que eles acolhem a nata da politicalha oportunista tipo Cristovam Buarque, em suas assembléias, com deferência e aplauso.
A elevação política desse movimento é possível, necessária e ao se lançarem a formas de combate direto, os estudantes de base possuem as condições de evoluir nessa direção, especialmente apoiando-se em experiências mais avançadas de outras ocupações como a da USP. E procurando aprofundar politicamente sua crítica política ao atual comando estudantil e inclusive a crítica a direções do PSOL, PSTU, PC do B, que em absoluto não priorizam a democratização do movimento e nem a aliança com a classe trabalhadora.

2 - A comparação com as lutas de 68 a 70 – na própria UnB – época de desenvolvimento da ditadura militar e de muita repressão policial e assassinatos traz, inicialmente, duas lições.
A primeira, a vigência dos debates da grande política, da política revolucionária que naqueles tempos fazia parte do cotidiano do movimento estudantil, especialmente nos seus últimos estertores antes dos anos de chumbo.
O movimento era mais atravessado por discussões sobre o processo revolucionário mundial, Vietnã, maio de 68 na França; o discurso antiimperialista era mais evidente que hoje e, nessa medida, o próprio programa reformista ganhava matizes mais revolucionários ainda com todos os desvios posteriores como o da luta armada sem o proletariado.
Outra questão ainda, comparativa, é a de que hoje, o perfil do movimento estudantil em que pese seu aspecto mais importante – o método combativo de ocupações, por exemplo – continua sendo corporativo, ou, em outras palavras, isola-se no interior da luta universitária e mais ainda, da universidade como ela é, procurando melhoras, reformas, derrubada de um reitor aqui, ali, mas ainda sem estender-se, programaticamente, em direção á classe trabalhadora, no sentido de defesa, por exemplo, da ampliação maciça e imediata das vagas públicas e gratuitas (naturalmente contra o PROUNI, REUNI, todos esses remendos eleitoralescos), vagas voltadas para as camadas mais pobres da população, defesa de bandeiras dos trabalhadores – como no caso da UnB a integração de todos os terceirizados aos quadros da Universidade – e também uma UnB a serviço dos bairros pobres, das demandas populares.

3 – Dessa avaliação, bem sucinta, se desprendem perspectivas de luta que vejo como prioridade para que o movimento ganhe auto-sustentacão e transcendência.
A primeira é a superação dessa herança burocrática: pela reinvenção de um movimento estudantil baseado em comitês de luta e de coordenação com a população trabalhadora e com a comunidade, baseados em sala de aula, com encontros de delegados eleitos em sala de aula e com representantes diretos dos setores mais combativos (exemplo: os que ocupam a reitoria os que se lancem mais resolutamente à ação).
Neste momento, mais importante que os DCE´s e a UNE, é a necessidade de atribuir voz e iniciativa às bases, a cada sala de aula, e incentivar todo tipo de experiência de auto-organização, recorrendo, para isso, a todo pretexto que apareça, seja cultural, político ou social. A outra perspectiva absolutamente necessária é a do debate programático. Uma é inseparável da outra. Universidade aberta aos trabalhadores, voltada para os bairros, para a comunidade e os centros de produção. Isto significa discutir demandas concretas dos trabalhadores, ouví-los, estabelecer formas de diálogo direto com os bairros e empregados, operários. E com os mais pobres. Discutir cotas de 50% das vagas para os estudantes das escolas públicas, por exemplo. E revolucionar o conteúdo da Universidade, sua função, começando por democratizá-la e deselitizá-la. Em poucas palavras é isto.

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Ocupação reitoria da UFMG: mais uma luta contra a repressão policial e da reitoria

Seguindo os métodos do movimento estudantil da UnB e do ano passado, os estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) ocuparam a reitoria da universidade como protesto à ação truculenta da Polícia Militar ocorrida no dia 3 de abril. Neste dia estava programada no Instituto de Geociências a exibição de um documentário (“Maconha – Grass”) e um debate sobre a legalização da maconha. A PM, que está instalada dentro da universidade há alguns anos, organizou um enorme aparato para impedir a realização do evento: 50 PM´s, várias viaturas e até um helicóptero cercaram a faculdade impedindo a entrada e saída de trabalhadores e estudantes. Convocada e autorizada pela Reitoria, os policiais agrediram os estudantes e deu voz de prisão a um deles.
A repressão dentro das universidades, cada vez mais recorrentes nestes últimos anos, fazem parte de uma ação combinada das reitorias e da burocracia acadêmica para impedir as manifestações de estudantes e trabalhadores contra os seus projetos de ataques a educação superior. Mandam a polícia, perseguem, assediam moralmente, abrem sindicâncias, tudo para intimidar os lutadores. Nas estaduais paulistas não foi diferente: em Araraquara a diretoria enviou a Tropa de Choque para acabar com a ocupação; nas estaduais correm vários processos de sindicância contra os grevistas e ocupantes...
Mas a repressão na UFMG através da ação policial já vem se tornando uma tradição dentro desta universidade. O ultimo caso, que ficou conhecido nacionalmente, foi a invasão da PM em 1998 na Moradia Estudantil. Esta existia há 18 anos e era gerida pelos estudantes num prédio ocupado da universidade. A Reitoria, que tinha um projeto de implementar taxas de cobranças nas várias dependências, acabou com a ocupação, construiu um novo prédio, e agora cobra quase R$200 para os estudantes estudarem e morarem numa universidade pública. E quem gere a assistência estudantil na UFMG? Uma Fundação Privada chamada FUMP.
Por isso, fazemos nossa a demanda dos estudantes da UFMG de Fora a PM do Campus e a punição de todos os responsáveis pela repressão e chamamos os estudantes de todo o país a colocarem essa luta na ordem do dia em cada universidade!


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E a luta contra o REUNI??????

No ano passado, o movimento estudantil das federais soube denunciar muito corretamente que o REUNI veio para sucatear a qualidade do ensino e atacar de várias maneiras a universidade. Agora, com os escândalos do Thimothy, ficou evidente que tipo de gente vai controlar a mísera verba que o governo federal disponibilizará com o REUNI. E para onde vai a verba? Para lixeiras de R$ 1.000,00 e saca-rolhas de R$800,00! E se explica também porque as burocracias acadêmicas aprovaram o REUNI de maneira anti-democrática e na base da tropa de choque: privilégios....
A melhor maneira de lutar contra o REUNI e a reforma universitária do governo é unificando o movimento nacionalmente em torno das demandas levantadas pelos estudantes da UnB, que tem um grande potencial de ganhar apoio dentro e fora da universidade. Hoje, o melhor golpe no governo é levantar uma luta em todo país contra a corrupção, pela democratização na universidade e contra as fundações privadas, pois esta é a base de sustentação e implantação da sua Reforma Universitária.
E para sermos vitoriosos precisamos superar as debilidades da luta contra o REUNI do ano passado, que acabou se isolando da sociedade porque não arrancou das mãos do governo a bandeira da democratização da universidade. Lutar simplesmente contra o REUNI aparecia para os que estão de fora da universidade como uma luta contra o aumento das vagas (que são projetadas para um aumento de mais de 70%). Isso em grande parte é responsabilidade do PSOL e do PSTU por não colocarem nenhuma demanda pela positiva que desmascarasse o governo.
A única maneira de derrotar a reforma universitária do governo seria se o ME ultrapassasse os muros da universidade e se ligasse aos trabalhadores e ao povo, mostrando como a verdadeira “democratização da universidade” só virá a partir de uma enorme luta de massas. Mas essa aliança não poderia se dar somente “Contra o REUNI”, mas se o movimento estudantil levantasse uma luta por uma expansão massiva de vagas públicas através da expropriação sem indenização de todas as universidades particulares, com as verbas necessárias para um ensino de qualidade sob a base do não pagamento das dívidas externa e interna. Essa seria uma maneira de acabar com o vestibular, pois já há mais vagas nas universidades do que estudantes que se formam no colegial. A verdade é que sem questionar o funil elitista e racista do vestibular e que cerca de 70% dos universitários do país são obrigados a pagar para estudar, não é possível falar de “Universidade para Todos”!

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Coloquemos a USP novamente à frente da luta do movimento estudantil

No ano passado, a USP foi o estopim. Agora, a UnB tem esse potencial e nós, estudantes da USP, temos que atender à esse chamado e nos colocar novamente na primeira linha da luta para barrar os ataques e passar à ofensiva.
Antes mesmo das ocupações da UnB e da UFMG já tínhamos motivos de sobra para reacender a chama do movimento estudantil da USP. Após a greve e ocupação na USP, a reitoria, junto às diretorias de unidades, estão tentando transformar as conquistas parciais em derrotas. Isso acontece com a garantia da reforma de prédios que vêm com a retirada dos espaços estudantis, onde o principal ataque da reitoria é à faculdade que foi o bastião de nossa luta: a FFLCH. O circular e o bandejão aos finais de semana também se transformaram em ataques.... aos trabalhadores, pois não houve as contratações necessárias por parte da Reitoria e nem as horas extras estão sendo pagas. E o V congresso? A Reitoria quer parecer boazinha ao dizer que poderia ceder a estrutura, mas ao mesmo tempo quer aprovar pelo Conselho Universitário e pelas Congregações de unidades uma reforma estatutária que concentra ainda mais o poder nas poucas mãos da casta burocrática que hoje governa a universidade. E pior, já está claro que não vai aceitar nenhum estatuto votado pela comunidade universitária se não for imposto pela força da luta. Afinal, já se foram os congressos anteriores (4) dessa maneira. Para aplicar todos esses ataques e tentar fechar a crise aberta na USP ano passado a reitoria precisa: dividir estudantes e trabalhadores e punir os lutadores (na USP já são mais de 40 sindicâncias contra estudantes e processos administrativos e perseguição política aos trabalhadores).
Agora, com a UnB, já se transforma numa necessidade urgente que todos aqueles que lutaram no ano passado se coloquem novamente em movimento, não somente pelas questões que estão postas na USP, mas se somando à luta contra a corrupção, pela democracia na universidade e contra as fundações. Coloquemos na parede (e abaixo!) os Thimothy´s que existem aos montes na USP e em todas as universidades brasileiras, que são a casta de professores que para manter seus privilégios mantém um regime universitário autocrático e abrem as portas para as fundações e empresas terceirizadas.
O V Congresso da USP tem que ser preparado pelos estudantes e trabalhadores de forma a organizar os professores combativos e lutadores da universidade para barrar os ataques que estão sendo colocados e para derrubar este regime reacionário. Para isso precisamos preparar uma grande greve universitária, com medidas radicalizadas, assim como fazem os estudantes da UNB hoje.


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Eleições do Centro Acadêmico de Ciências Sociais (CACS) da PUC-SP
Chapa Germinal: ligar o movimento à luta da UnB e da UFMG

Nós do Movimento A Plenos Pulmões, que fizemos parte da ultima gestão do CACS, que se colocou na luta contra os ataques da Reitoria e da Igreja, estamos participando das eleições nos dias 9, 10 e 11 com a Chapa Germinal.
Se estivemos à frente da luta contra o Redesenho Institucional (que quer ligar ainda mais a PUC aos interesses do capital e extinguir os cursos de ciências humanas) e contra a repressão, agora, nos entusiasmamos com as lutas da UnB e da UFMG e tomamos para nós a solidariedade com estas lutas que as outras chapas não dão nenhuma importância.
Independente do resultado da eleição, continuaremos a batalha por colocar o movimento estudantil da PUC ao lado das diversas lutas do país afora, lutando para transformar a PUC num bastião da luta pela unidade entre o movimento estudantil das públicas e das privadas, pois esta é única maneira de derrotarmos os ataques e passar à ofensiva numa luta pela estatização das universidades particulares e por uma universidade à serviço dos trabalhadores e do povo, o que é a saída de fundo que propomos programaticamente nessas eleições.

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Unesp: exemplos de aliança operário-estudantil

Nos últimos tempos, alguns exemplos importantes para o movimento estudantil (ME) têm surgido no interior de São Paulo, onde um setor do ME da Unesp de Marília e de Franca levaram adiante alianças com os trabalhadores.
Em Marília, após anos de luta pela construção de um Restaurante Universitário, a burocracia tenta, para que consiga fragmentar os dois setores, transformar as vitórias do movimento estudantil em ataques aos trabalhadores: com almoço em quantidades insuficientes e com grande parte de cursos noturno, a diretoria aponta que o período noturno do RU só virá com o aumento de horas dos trabalhadores e com ainda mais exploração. O movimento responde, deixando claro que a perspectiva é de união entre trabalhadores e estudantes, e que a luta será por garantir que o RU seja aberto a noite com a contratação de mais funcionários, e por colocar o restaurante sob o controle dos estudantes e trabalhadores, para que seja garantido tanto a qualidade como o direito dos trabalhadores. Um grande exemplo que pode servir para a luta dos estudantes da Unesp - Bauru, que frente a refeições que custam mais de 5 reais, também estão em luta.
Em Franca, ano-a-ano, temos avançado em soldar uma aliança com os sapateiros. Os trabalhadores vem sofrendo com demissões massivas, super-exploração, falta de direitos e desemprego que tem aumentado a cada ano devido à concorrência com os produtos no mercado, principalmente a China. Frente a isso nós do Movimento A Plenos Pulmões junto com outros setores colocamo-nos ombro a ombro com os trabalhadores, construindo a “Frente Permanente em Defesa dos Trabalhadores”, colocando o conhecimento dos cursos de direito, historia e serviço social a serviço desses trabalhadores, desmascarando os patrões, resgatando a história dos trabalhadores e desmascarando a constituição burguesa. Além disso, estamos presentes nas assembléias, panfletando materiais e discutindo com as famílias dos trabalhadores.
Os estudantes de Franca e Marilia firmam um grande passo na construção de uma aliança estratégica para que avancemos na luta contra a universidade elitista e racista que existe hoje e que coloquemos nosso conhecimento a serviço dos trabalhadores.

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Unicamp: a luta contra a precarização do trabalho e do curso!

Na Unicamp, estamos impulsionando junto ao CACH e independentes uma luta em defesa dos terceirizados contratados por uma Fundação, a Funcamp, que é ligada a Reitoria da universidade. Essas contratações são do inicio dos anos 90 e foram feitas ilegalmente, escondendo por trás desvios de verbas públicas. Mais um exemplo de como a UnB não é uma exceção e de que seria uma luta muito importante de ser impulsionada nacionalmente. Agora, o Ministério Público, depois de anos sem fazer nada, determinou a demissão de todos os funcionários (que poderá chegar a 600) e considerou os contratos nulos, ou seja, sem direitos trabalhistas. Enquanto isso, a burocracia acadêmica, responsável por contratar estes trabalhadores, continua impune e realizando seus ataques à universidade.
Também no IFCH, iniciamos uma luta contra a precarização de nosso curso a partir da flexibilização dos currículos. Neste instituto a reforma universitária vem passando pela via das reformas curriculares. A reitoria não libera a contratação de novos professores, pois considera o instituto disfuncional para a lógica capitalista, e os professores, ausentando-se da luta, seguem adequando os currículos para suprir este déficit de docentes.

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Por um encontro estadual dos estudantes paulistas para reorganizar nosso movimento!

São Paulo foi o estopim das lutas do ano passado e seguem as lutas na PUC-SP, Fundação Santo André, Casper Líbero e UNICID, que são todas privadas (ou de direito privado como a FSA). Estas são importantes para, ligadas às estaduais paulistas, onde começa a haver incipientes mobilizações, soldar uma aliança inédita entre o movimento estudantil das públicas e privadas. É por isso que começamos a dar uma batalha por um encontro estadual de estudantes. Agora, com a luta da Unb, essa tarefa se torna ainda mais urgente. Na construção desse encontro, que deve ser amplamente discutido nas bases, devemos partir de cercar de solidariedade as lutas em curso. Para nós, esse Encontro Estadual contribuiria muito para aportar para a reorganização do ME nacionalmente. Chamamos a todos a somarem forças por essa perspectiva.

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Participe do seminário sobre o maio de 1968 e de nossa Plenária aberta

Em maio, estaremos comemorando uma data importante: 40 anos das lutas estudantis e operárias de 1968. Nós do Movimento A Plenos Pulmões, que levantamos um programa político pautado na estratégia da transformação radical da universidade através de uma aliança entre os estudantes e a classe trabalhadora para colocá-la a serviço das lutas e das necessidades dos trabalhadores e do povo pobre, reivindicamos centralmente as experiências da luta estudantil de 68, especialmente o Maio Francês.
Foi na França que o ME mostrou todas as suas potencialidades como camada social capaz de abalar as estruturas da sociedade capitalista. Após anos de experiência nas lutas contra a dominação imperialista francesa e de solidariedade internacional com a luta de libertação dos povos da Argélia e Vietnã, os estudantes franceses, diante uma repressão policial na Universidade de Nanterre, se levantam em 1968 contra a estrutura de poder e o caráter da universidade. Mas como camada sensível da sociedade, “caixa de ressonância” das contradições sociais e econômicas, que sentia as conseqüências da crise que estava se processando nos países centrais do capitalismo, os estudantes rapidamente ampliaram sua luta para abranger as demandas dos setores mais oprimidos e explorados da sociedade. Sua radicalização, seu programa, seus métodos de auto-organização viraram espelho para a classe operária, que saiu em greve e ocuparam fábricas, concretizando uma fantástica aliança entre estudantes e trabalhadores.
Nós do Movimento A Plenos Pulmões, composto por militantes independentes e da Liga Estratégia Revolucionária, construímos na universidade um corrente de estudantes que se colocam na luta política e teórica para colocar esta tradição de pé, resgatando seus métodos e programa, fazendo balanço dos acertos e erros, e tirando lições a partir de cada situação concreta da atualidade.
É por isso que nós convidamos a todos a participarem do seminário que faremos nos dias 10 e 11 de maio sobre o Maio de 68 e da nossa Plenária onde discutiremos um programa político para a atualidade.

terça-feira, 18 de março de 2008

FUNDAÇÃO SANTO ANDRÉ

Pelo reconhecimento dos cursos livres!
Pela abertura de todos os cursos da FAFIL!



Se a reitoria e sua corja pensaram que os estudantes aceitariam de boca calada o fechamento dos cursos da FAFIL, se enganaram! Na segunda-feira, cerca de 200 pessoas assistiram à aula inaugural dos cursos livres, demonstrando que existem muitos trabalhadores e filhos de trabalhadores que querem estudar e são impedidos pelas altas mensalidades! Na terça-feira, o ato dos estudantes pela abertura dos cursos demonstrou a luta que temos que travar contra a burocracia acadêmica, que recebe muito dinheiro para ocupar suas cadeiras, de onde atacam os estudantes com altas mensalidades, fechamento dos cursos e tropa de choque.
Depois de ir até a reitoria, o ato dos estudantes entrou no Pinicão, onde estava acontecendo o debate entre os candidatos à diretoria da FAFIL. Eles queriam que entrássemos quietos e adaptados ao seu “debate democrático” onde os estudantes sequer têm voz, podendo fazer perguntas só por escrito. Logo de cara, tiveram que ouvir que os estudantes estavam ali para exigir que os candidatos se posicionassem sobre o fechamento dos cursos da FAFIL. Tentaram fazer de conta que tudo continuava dentro da normalidade, com as perguntas e respostas descoladas da realidade. Afinal, como podem falar de “melhora do ensino” de uma faculdade que está deixando de existir sem falar do problema principal: o fechamento dos cursos?
Mas não tiveram como manobrar. Em pouco tempo, se depararam com as perguntas dos estudantes. Aí, a Miriam Lernic (atual diretora nomeada pelo reitor e candidata novamente!) se viu em maus lençóis: “Na sua gestão, os estudantes da FAFIL apanharam do choque e os cursos foram fechados. Mesmo assim, você acha que tem que continuar dirigindo a faculdade?”. Essas e outras perguntas desmascararam como nunca a senhora Miriam, ou a “Pinochet de saia” como foi chamada pelos estudantes.
O debate mudou completamente com a presença dos estudantes e trouxe à tona vários problemas que temos que enfrentar: Camargo Rodrigues, mensalidades, eleições que não servem pra nada e uma estrutura de poder anti-democrática em que os estudantes não têm nenhum poder de decisão. Achamos muito importante impulsionar nos próximos dias ações que ajudem o movimento a se expandir, discutindo quais devem ser os próximos passos. Aqui, colocamos as nossas opiniões e propostas como uma contribuição a esse debate tão importante.

Pelo reconhecimento já dos cursos livres!

Os cursos livres de Ciências Sociais, Geografia e História estão sendo ministrados sem o reconhecimento da universidade e até agora sem salas de aula. Primeiro a reitoria publicou uma nota,

dizendo que professores e estudantes não podem deliberar sobre a abertura dos cursos. Depois, disse que os cursos podem acontecer, desde que não sejam nas salas da FSA e não utilizem o nome da Fundação. Os cursos livres estão sendo muito importantes, a ponto de a imprensa escrever várias matérias que demonstram que os estudantes e professores, diferente da reitoria, são capazes de abrir as portas da FAFIL para a população. Além disso, os cursos livres já colocam em questionamento o vestibular e devem avançar também na discussão sobre os currículos, o funcionamento da faculdade e o caráter elitista da universidade no Brasil.
Mas a reitoria pode estar apostando que, com o tempo e as ameaças aos professores, os cursos livres percam a sua força e não sejam mantidos. Precisamos desde já impulsionar com toda força os cursos livres, reivindicando que eles, que hoje se demonstram como foco de luta e de resistência contra o fechamento dos cursos, devem ser reconhecidos pela universidade, com direito a horas-aula reconhecidas oficialmente como parte da grade curricular e que esse seja o primeiro passo para a reabertura de todos os primeiros anos que foram fechados.
Propomos que os professores lancem uma carta aberta, recolhendo assinaturas de professores e intelectuais de todo o país, exigindo o reconhecimento dos cursos livres e a reabertura de todos os cursos da FAFIL. Propomos também que convoquem uma coletiva de imprensa para dar maior visiblidade a esta luta. Além disso, nós, estudantes, podemos lançar um abaixo-assinado, que além da abertura dos cursos, exija também o reconhecimento dos cursos livres.

Reitor, a culpa é sua! Pela abertura imediata dos oito cursos fechados!

No primeiro dia de aula, o Cacalano (vice-reitor) disse aos estudantes que não precisava de mobilização porque no ano que vem os cursos devem ser reabertos. Em primeiro lugar, não temos nenhuma garantia disso! Em segundo lugar, a única maneira de garantir a abertura – e ainda esse ano – é através da mobilização dos estudantes, para colocar na parede o reitor Odair Bermelho, o principal responsável pelo fechamento dos cursos. O próximo ato será 6ª feira em frente ao Sindicato dos Químicos, para denunciar Vanderlei Siraque, criador da Insefusa (órgão de segurança da FSA, ou seja, de repressão). Nesse ato, precisamos buscar o diálogo com os trabalhadores químicos, porque queremos que eles estejam juntos com os estudantes na luta para que os trabalhadores e seus filhos possam estudar. Com certeza, temos que denunciar o Siraque, que está contra a FAFIL e junto com a reitoria. Mas, sabendo que o principal responsável por essa situação é o reitor, ele tem que ser o principal foco da nossa denúncia. Reitor, a culpa é sua! A luta continua!

Fora Camargo Rodrigues! Pela redução imediata das mensalidades!

No debate de 3ª feira, apareceu com tudo o problema das mensalidades. Perguntada sobre a Camargo Rodrigues, que nos obriga a assinar notas promissórias e bloqueia nossas contas, a dona Lernic simplesmente disse para os estudantes procurarem o setor de arrecadação. Ou seja, para ela, a Camargo Rodrigues tem que continuar perseguindo os estudantes que não têm como pagar. Basta de humilhação e processo judicial contra os inadimplentes! Fora Camargo Rodrigues!
Se muitos de nós não conseguimos pagar as mensalidades, é porque são valores absurdos. Como podem cobrar pela mensalidade valores bem maiores ao salário mínimo? Querem que os estudantes deixem de comer pra estudar? Essa é a realidade em que a educação é cada vez mais tratada como mercadoria. É por isso que nós defendemos a estatização das universidades privadas, pra que todos tenham acesso ao ensino superior público e gratuito. Sabemos que será necessária uma árdua luta para impor a estatização – no caso da FSA, a federalização já é uma bandeira história –, por isso precisamos lutar para que as mensalidades sejam reduzidas imediatamente, sem nenhuma redução da carga horária.

Por eleições diretas! Cada pessoa = um voto!

Outra coisa que foi desmascarada no debate é que essas eleições para a diretoria da faculdade (assim como as eleições para reitor) são absurdamente anti-democráticas. Pra começar, as eleições na verdade são “consultas”, pois quem decide no fim é o próprio reitor. Ele pode nomear um candidato com menos votos, como fez com a Miriam Lernic, atual diretora. Do mesmo jeito, quando se trata de eleições para reitor, quem decide é o prefeito e não a comunidade acadêmica. Mas não pára por aí: os estudantes, que são a imensa maioria na faculdade, representam uma ínfima minoria dos votos. Em pleno século XXI, as eleições universitárias não assimilaram nem a Revolução Francesa de 1789, que estabelecia um voto a cada pessoa!
Basta de eleições consultivas que não servem pra nada! Por eleições diretas já! Cada pessoa = um voto!

Por um governo tripartite com maioria estudantil!

Você já se perguntou por que só professores podem dirigir a faculdade e o centro universitário? Por que estudantes e funcionários não têm poder de decisão sobre o funcionamento da universidade, ao mesmo tempo em que esta não existe só com professores? Enquanto a corja da reitoria fechou os cursos, estudantes junto com alguns professores estão fazendo os cursos livres, que abrem as portas da FAFIL para os trabalhadores e seus filhos. Por que então a maioria tem que continuar sendo dirigida por uma casta que recebe altos salários pra fazer o que bem entende?
Infelizmente, no debate de 3ª feira, os candidatos Simone (diretoria) e Odair (vice) demonstraram que ficam no meio do caminho: colocam-se contra o fechamento dos cursos da FAFIL, mas propõem uma gestão que mantenha somente professores na direção, mas com “diálogo” com os estudantes. Queremos dizer que não basta uma diretoria que dialogue com os estudantes; é preciso mudar toda a estrutura de poder, em que o peso de decisão da maioria não existe.
Nós defendemos que a universidade seja dirigida por um governo que de fato coloque nas mãos da comunidade acadêmica as decisões sobre funcionamento, currículo e tudo que diz respeito à universidade. Um governo tripartite, ou seja, formado por estudantes, funcionários e professores, com maioria estudantil. Num governo como esse, os mandatos devem ser revogáveis, ou seja, todo aquele que ocupa um cargo e não age conforme as decisões da maioria deve ser substituído por outro, também eleito. Só assim, a universidade abrirá as portas para os trabalhadores e seus filhos – para estudar e ter poder de decisão sobre tudo que lhes diz respeito na universidade.

É preciso reorganizar o movimento a partir das salas de aula e dos cursos!

Depois do ato de 3ª, precisamos chegar a mais estudantes para que se coloquem ativamente na luta em defesa da FAFIL. Precisamos discutir em cada sala de aula quais os passos precisamos dar para tornar o movimento muito maior, expandir nossa luta para fora da FSA e conseguir ser vitorioso. A partir das salas de aula e cursos, os estudantes podem aprofundar os debates e tirar propostas para o conjunto do movimento, que sejam levadas à assembléia geral por representantes eleitos que levem propostas votadas por maioria e minoria. Ampliar e fortalecer o movimento é fundamental nesse momento, para que a luta em defesa da FAFIL não fique isolada. Precisamos também nos organizar para ir à FAECO e à FAENG com o abaixo assinado pela abertura dos cursos da FAFIL; e voltar às ruas do ABC buscando o apoio dos trabalhadores e da população.
13/03/2008

quarta-feira, 5 de março de 2008

Movimento A Plenos Pulmões Franca - Pravda nº02




A Plenos Pulmões Unesp Franca




Com o ínicio de mais um ano e a entrada de novas pessoas na Universidade, o Movimento A Plenos Pulmões cumpre um importante papel de se contrapor ao projeto burguês de universidade e o seu conhecimento produzido, e se colocar enquanto referência para os estudantes que procuram partir do questionamento da universidade de classes para o questionamento da sociedade de classes. Para todos que busquem a construção de um movimento estudantil novo, radicalizado, que acredite em seus métodos de luta, e busque cada vez mais ser anti-burocrático, anti-governista e que se coloque ao lado da classe trabalhadora em sua luta política.


Nesse sentido, a APP da Unesp Franca lançou mais um jornal, o Pravda (nº 02), que busca partir de um balanço sério sobre as mobilizações, greves e ocupações do ano de 2007, tirando seus ensinamentos, apontando suas debilidades, discute a situação do novo campus construido a pouco e o significado político dessa obra, além de questionar a terceirização como forma de precarizar o setor dos trabalhadores mais marginalizados e oprimidos da universidade. Já está mais do que na hora dos estudantes e trabalhadores apresentarem uma saída para a crise universitária.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

USP - CALOURADA 2008


Glossário ________________________________________

Vocês verão muitos glossários explicando como funcionam as coisas. Nós não temos o intuito de explicar tudo, mas de colocar a visão que o Movimento A Plenos Pulmões tem de algumas coisas que ajudam a entender o ME e a atuação política na universidade.

Adusp – Associação dos Docentes da USP. Escreve textos interessantes e desiste fácil das lutas. Alojamento – a versão mais precária e insalubre do CRUSP- improvisado nas arquibancadas do CEPEUSP (ver os dois abaixo).
Assembléia – reunião de todos estudantes que queiram discutir e decidir sobre o que bem-entenderem. Organismo máximo dos estudantes. Pode ser por curso, faculdade, geral...
Bandex, bandeijão – rango nutritivo e barato. Feito à base de suor e doenças de trabalho dos trabalhadores da COSEAS, para alimentar os estudantes e a comunidade universitária (com exceção dos professores que tem seu próprio restaurante, melhor, mais arrumado e bem caro!).
Burguesia – Segundo Marx e Engels, com os quais compartilhamos, é a classe detentora dos meios de produção e que explora a classe trabalhadora para extrair dela seus lucros.
Centros acadêmicos - CA´s e Diretório Central dos Estudantes-DCE – Os primeiros são relativos a um curso ou faculdade, enquanto o segundo abarca o conjunto dos uspianos. São as entidades, em tese para a defesa dos interesses dos estudantes, o que não acontece quando é dirigido pelos governistas do PT, PCdoB e PMDB (como no ano passado, que boicotou a ocupação). Infelizmente, correntes que se colocam no campo da luta contra o governo e em defesa dos interesses dos estudantes, como o PSOL e o PSTU, muitas vezes reproduzem muito dos métodos, da prática e da política dos governistas....O Conselho de Centros Acadêmicos (CCA) acontece periodicamente e reúne todos os CAs. É melhor buscar saber o que seu CA está fazendo lá, porque quase nenhum se baseia em assembléias de curso para atuar... É por isso que lutamos por revolucionar essas entidades!
Cepeusp – mais conhecido como Cepê – é o clube dos estudantes que fica próximo à Faculdade de Educação. Você pode trazer filhos e cônjuges para usar o clube, mas é fechado para quem tem “vínculo com a universidade”, como quase tudo aqui dentro. Paira no ar a construção de uma piscina aquecida há uns 5 anos...
Circular – também conhecido como secular ou circulento, é o escasso meio de transporte gratuito dentro da universidade. A reitoria não investe em sua melhoria, quantidade. E assim faz os motoristas terem de enfrentar a fúria de todo mundo.
Classe Trabalhadora – Você vai ouvir o professor dizer na sala de aula que ela não existe mais, mas ao mesmo tempo vai vê-la limpando nosso banheiro, te servindo no bandejão, dirigindo os circulares etc. É a classe que produz tudo na capitalismo, mas não se apropria de nada e possui apenas sua força de trabalho para vender.
CO (Conselho Universitário) – reunião da casta que governa a universidade. Local onde os funcionários e estudantes (e até professores que não são titulares) não podem falar nem votar, mesmo pedindo licença “às honradas excelências”. Neste lugar quem decide tudo são apenas alguns escassos professores titulares. Participação da FIESP, entre outras barbaridades (ver texto nesse contramanual).
Congregação – Uma espécie de CO (ver abaixo) de cada faculdade, que reúne cada chefe de departamento (que só podem ser titulares, pra variar), o diretor da faculdade e um par de estudantes e funcionários que não palpitam.
Conlutas/Conlute – São, respectivamente, a Coordenação Nacional de Lutas (que reúne algumas entidades e movimentos de trabalhadores, sindicatos como o Sintusp etc) e a Coordenação Nacional de Lutas dos Estudantes (que reúne algumas entidades estudantis). Impulsionamos essas coordenações com o intuito de coordenar as lutas nacionalmente, já que a CUT e a UNE não o fazem nem tem interesse em fazer, mas nenhuma delas conseguiu ser o que necessitam os lutadores, devido às limitações que a política (ou a falta de política) do PSTU impõe por ser direção majoritária das duas.
COSEAS – a “assistência social”, os que comprovam que você não tem onde cair morto para morar no CRUSP (ver abaixo). Também tem sua tropinha, de funcionários burocratas a serviço da reitoria, para expulsar da moradia os que já se formaram ou passaram a ter renda. Os trabalhadores da COSEAS, que inclui o bandejão, o CRUSP, entre outros, não têm nada a ver com a falta de prioridade e investimento da reitoria nesse setor.
Crusp – moradia precária, difícil de conseguir vaga que a reitoria oferece em pouquíssimo número para aqueles que comprovarem que estão praticamente passando fome e não tem onde morar.
CUT – Todo mundo conhece... Central Única dos Trabalhadores. Aqui na universidade também não dão as caras para ajudar os trabalhadores a se organizar há muito tempo (mesmo antes do Sintusp romper com a CUT e entrar na Conlutas) e quando vem é para boicotar, ainda que segue sendo referência para milhões de trabalhadores pelo país.
Independente – militante do movimento estudantil que não faz parte de nenhuma organização política.
ME – sigla para movimento estudantil.
Partido - Grosso modo, uma organização política em torno de concepções de mundo, sobretudo as políticas, em torno da organização e funcionamento da sociedade. Ou seja, um grupo de pessoas que atua organizadamente para concretizar estas concepções. A discussão sobre partido é inseparável da discussão de quais idéias, programa e classes sociais defende determinado partido.
Representantes de base ou delegados - São as pessoas escolhidas nas assembléias dos cursos/faculdades para comporem uma “coordenação”, em base a critérios de proporcionalidade. Podem ser revogados a qualquer momento - caso seja a vontade de sua assembléia. A revogabilidade garante que a vontade da maioria prevaleça no corpo de delegados.
Sintusp – Sindicato dos Trabalhadores da USP, um dos mais combativos do país.
UNE – União Nacional dos Estudantes, você já deve ter ouvido falar. Mas aqui não vai encontrar ninguém da UNE, a não ser na hora eleições e das lutas (para trair negociando pelas costas dos estudantes com a burocracia)!! Ah, também aparecem para eleger delegados pro Conune (Congresso Nacional da UNE), onde são aprovadas as políticas da UJS/PCdoB (que dirige a UNE desde quase sempre...) de apoio a tudo que faz o governo Lula. A última vez que apareceram aqui foi numa mal (dita) “jornada de lutas em defesa da educação”, depois da nossa greve, para tentar de maneira oportunista capitalizar nossa luta que eles boicotaram (e o pior é que o PSOL e o PSTU estavam juntos....). Felizmente, quase nenhum estudante compareceu nessa farsa, a não ser para repudiá-la!
Uspão – padaria do Crusp que fica perto da parte de trás do bandejão.


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USP pra que e pra quem?

A USP tem o 175° posto entre as maiores universidades do mundo, oscila entre o primeiro ou segundo lugar em produção de conhecimento na América Latina. Você sabe que entrou numa universidade que produz conhecimento, mas provavelmente não te falaram é o que sustenta e a quem serve esse conhecimento.
Neste ano de 2008, de acordo com o site da FUVEST, você, que passou da segunda fase do vestibular faz parte dos : 77% brancos, 66,9% que somente estudaram em escola particular, 80,2% que não trabalham, 86% com renda maior que mil reais por mês(mais que o salário médio do paulistano que é de 900 reais), 61% dos que o pai passou pelo ensino superior.
O vestibular barra a maioria do povo pobre e dos trabalhadores a entrarem na universidade. Já começa por aí... a maioria do povo e dos trabalhadores que, através do seu trabalho, sustentam a universidade pagando impostos, fazendo a manutenção dos laboratórios, das salas de aula, fazendo a comida, transporte, literalmente construindo e mantendo a universidade, não podem estudar nela e nem decidir sobre o que é produzido na universidade.
POR QUÊ?
Os governos servem aos empresários e capitalistas (que entre outras coisas bancam suas campanhas eleitorais), e o grupo dos professores que dirigem a Universidade, fazem desta um centro de conhecimento à serviço das empresas e do lucro destas. Não poderia ser diferente, já que quem escolhe o reitor não é a comunidade universitária e sim poucos professores titulares que elegem três nomes, e aí o governador escolhe quem será o reitor entre os três (a lista tríplice)!!! Além disso, todo o regime universitário é feito para que os estudantes e trabalhadores não tenham nenhuma voz e que manda são alguns professores, os “titulares” (que são mais ou menos 800 dos 5000 professores da USP). Isso é o que chamamos burocracia acadêmica: uma casta de privilegiados, que ganham rios de dinheiro e mandam na universidade de acordo com os interesses de (suas) empresas e dos (seus ) governos...

Senão, vejamos:
A Fiesp, a Fundação Otávio Mesquita (Estadão) e diversas fundações privadas são membros permanentes do Conselho Universitário.
A reitoria e o conselho universitário ficaram ao lado do governo Serra apoiando os decretos e a pesquisa operacional (pesquisas de caráter pratico ligado à linha de produção das empresas, por exemplo).
Pesquisa com verba na geologia tem uma fórmula: Petrobrás.
As ciências humanas e as áreas de formação de professores para o ensino médio são extremamente precarizadas e não recebem verba.
A farmácia antes estudava doenças tropicais (malaria, febre amarela, tuberculose, etc) e hoje produz cosméticos para a Avon, etc.
O Instituto Butantã agora pesquisa botox,
a Educação Física sobre as palmilhas da Nike, a Engenharia logística dos caminhões da Coca, na Economia o aumento da produtividade das empresas explorando mais os trabalhadores, nas Ciências Sociais como ter uma polícia que reprima os estudantes, os trabalhadores e negros com um ar de dignidade, evitando maiores conflitos etc...

Certamente, as pesquisas da USP poderiam contribuir para grandes descobertas que favorecessem os trabalhadores e o conjunto da população ao invés de, na maioria das vezes, servir para aumentar o lucro e manter o status quo. Retocando a maquiagem de que tudo está cada vez mais perfeito escondendo uma “democracia” já decadente, que vende seu corpo para quem pagar bem...
Nós do Movimento A Plenos Pulmões achamos fundamental questionar o conhecimento que é produzido hoje, por isso buscamos nos unir às lutas dos trabalhadores e do povo pobre e negro (sem-teto, sem-terra, desempregados...) e colocar nosso conhecimento a serviço dessas lutas, para transformar a sociedade.

A burocracia acadêmica defende o interesse de quem?
O reitor da UNB está sendo investigado por ter usado mais de 450 mil reais na reforma de seu apartamento, por ter comprado um carro de 72 mil, três latas de lixo de mil reais, e até um abridor de lata folhado a ouro de 200 reais, tudo isso com o dinheiro de uma fundação privada.
Junto com ele está o dono do restaurante privado da Química da USP, que é membro do Conselho Universitário (o professor Mario Beni, dono da empresa StarBeni, ex-diretor do Banespa envolvido no escândalo do BANESTADO).
Será que estão interessados na livre produção de conhecimento na universidade? Ou de seus próprios bolsos e empresas?


Congregação da FFLCH quer Diretas pra reitor????!!!!
A congregação da FFLCH aprovou um documento se posicionando a favor de eleições diretas para reitor... Significa que vão fazer então eleições diretas pra diretor da unidade, né? Para que possamos expulsar o atual diretor Gabriel Cohn, que se posicionou contra a ocupação da reitoria desde o primeiro dia, que colocou uma grade fechando o espaço dos estudantes da ciências sociais e depois construiu uma laje no mesmo lugar; temos que exigir eleições diretas para diretor na FFLCH! É uma palhaçada votar por eleições diretas pra reitor se a unidade não dá o exemplo!!! Nos mobilizemos para impor essa demanda que até a congregação diz concordar...


Estatuinte, uma vitória da greve??
Uma das demandas da greve e da ocupação que foi concedida pela reitoria é um Congresso Estatuinte, supostamente organizado pelo “comunidade universitária”. Entretanto, a reitoria está discutindo a reforma do estatuto para ser aprovado no CO antes mesmo do Congresso acontecer!!! Quando for o Congresso, já terão o estatuto pronto e aprovado na burocracia!!! Contra isso temos que BARRAR A ESTATUINTE DA BUROCRACIA e garantir um CONGRESSO ESTATUINTE LIVRE E SOBERANO, organizado conjuntamente a partir das assembléias de base de trabalhadores, estudantes e professores!!! Só assim poderemos lutar para transformar a universidade, o acesso, a estrutura arcaica de poder e o conhecimento produzido nela, no caminho de colocar a universidade a serviço dos trabalhadores.


Governador decreta fim da autonomia das universidades...
Reitora se cala...

Pé na porta!

“Do rio que tudo arrasta sediz que é violento mas
ninguém diz violentas
as margens que o comprimem” B. Brecht

Todo mundo ouviu falar da ocupação da reitoria da USP. Todo mundo ouviu sobre os decretos do Serra e que tinham algo a ver com esse fervilhão. E tinham. A ocupação da reitoria junto com a greve que cresceu dela, realmente abalou as estruturas na USP.
Foi um movimento forte como não se via há muito tempo, que incentivou os estudantes de todo país a lutarem contra a precarização do ensino e seu atrelamento aos governos e às empresas. Ao final, o tucano Serra foi obrigado a recuar em parte dos decretos. Mais tarde o “super-secretário” Pinotti (ex-reitor da Unicamp) renunciou, mas a secretaria ainda se mantém.
Lá dentro, longe das lentes da mídia, centenas de estudantes davam sua energia para garantir a manutenção da ocupação. Passaram por cima das antigas direções políticas aliadas aos governos, como DCE[1] (ver glossário) e também dos que, achando que a ocupação deveria acabar com algumas migalhas (principalmente PSOL e até o PSTU).
Começava um novo momento da mobilização dos estudantes. Participamos da ocupação e defendemos esta como uma ferramenta de luta, mas ainda que pela primeira vez tenhamos conseguido uma mínima coordenação entre as universidades estaduais de São Paulo, ainda não existiu uma direção democrática dos estudantes, com delegados eleitos em cada curso, para fazer valer as posições políticas do conjunto dos estudantes.
Foi com uma direção democrática desse tipo que os estudantes organizaram na França quando derrotaram o CPE. A luta por um movimento organizado desde as assembléias de base, que busque o apoio da sociedade é fundamental para ligar os estudantes aos trabalhadores (na greve também não conseguimos nos aliar ao funcionalismo público que também era atacado pelos decretos) e juntos lutarmos contra o elitismo da universidade brasileira, na luta por ampliar vagas e verbas nas universidades públicas e estatizar as particulares. Uma discussão que queremos abrir desde já com os calouros, preparando-nos para as próximas lutas.


Que decretos eram, mesmo?
O ano de 2007 começou com uma "ótima" notícia para as universidades estaduais: Serra, logo no primeiro dia de governo, baixou aquilo que ficou conhecido como os "Decretos do Serra". Entre outros efeitos, destacamos a intenção de privilegiar as “pesquisas operacionais”, para aprofundar ainda mais o caráter mercantilista do conhecimento produzido nas universidades; corte de verbas na Universidade e maior controle do governo sobre os gastos; e a proibição de contratação e negociação salarial de funcionários e professores sem aprovação direta do governo estadual.
Essas medidas pretendiam aprofundar o controle direto do estado sobre a administração da Universidade, assim como sobre o conhecimento produzido aqui, para que estudássemos apenas aquilo que é interessante para empresários e governantes. Há muito mais para refletir sobre a suposta autonomia que existe hoje, autonomia de alguns burocratas escolhidos pelo governador. Aliás, você sabe o que a excelentíssima reitora faz com os 180 milhões de verba mensal da USP?? Deve comprar muito laquê...
Veja os decretos feitos até maio de 2007 em: http://www.adusp.org.br/dossies/decretos/Dossie_Decretos_Serra.pdf


Não queremos almoço de domingo com base na super-exploração dos trabalhadores do bandejão!!!
Você sabia que uma das reivindicações atendidas da ocupação da reitoria da USP foi o bandejão de domingo, porém não se contrataram funcionários suficientes para cobrir esta função?
O resultado disso é que os poucos contratados estão se acabando em horas-extras e muito mais trabalho pesado (imagine o que é fazer quase 6000 refeições diárias... só no bandex central!!!). Sem contar que a reitoria está se aproveitando disso para jogar os trabalhadores contra os estudantes. Não podemos deixar que nossas refeições sejam servidas através de suor, hora-extra e muito dorflex dos trabalhadores da COSEAS!
Os estudantes, começando pelos do CRUSP que são os mais beneficiados com o almoço de domingo, devem apoiar os trabalhadores, fazendo uma campanha por CONTRATAÇÕES JÁ no bandejão!


Você sabia?
... que governo federal arrecadou cerca de 603 bilhões de reais em 2007, dos quais reservou 421 bilhões para o pagamento dos juros e das amortizações da dívida externa e interna, ou seja, quase 70% de toda a arrecadação de 2007, e somente 11 bilhões com a educação?


Plin-plin: a grande mídia cumpre seu papel
Por uma mídia independente dos lutadores!

A ocupação da reitoria foi um boom televisionado. Com ela, queríamos alardear nas TV’s e jornais os ataques que ontem e hoje a universidade e o ensino público sofrem, por conta da sede de lucro de governos e empresários.
Mas as mídias oficiais são serviçais aos interesses dos empresários e dos governos. Manipularam as informações e criaram a imagem de que não se passava de um movimento de “remelentinhos”, de estudantes que reclamavam de barriga cheia. Tudo para evitar um maior apoio da população ao nosso movimento, e perpetuar a idéia de que não se pode questionar as velhas e tradicionais instituições. A Globo fez até uma ocupação de reitoria na novela das oito com esse objetivo, e o estado criou uma “caça às bruxas” contra os partidos de esquerda e um dos sindicatos mais combativo do país: o SINTUSP.
Se quisermos derrotar os governos, precisamos criar os nossos próprios meios de comunicação, para não dependermos dessa mídia oficial que age contra qualquer movimento e que se coloque contra os interesses do capital.
Se você quer lutar pela democratização da mídia e impulsionar conosco uma mídia alternativa entre em contato pelo e-mail!


Lula e o REUNI: universidade mais voltada para o capital.
O segundo semestre de 2007 ficou marcado pela luta que o movimento estudantil impulsionou nacionalmente contra o REUNI, seguindo o exemplo da USP, estudantes das federais de todo o país ocuparam reitorias e tentaram barrar este ataque. Foi uma luta muito importante, mas derrotada. Mas o que é o REUNI?
O REUNI é parte de um plano do governo Lula para ligar as universidades ainda mais às necessidades das empresas, formando mão-de-obra qualificada e barata. Para isso, se por um lado aumentará o número de vagas, isso virá sem o aumento de verbas necessário para construção de infra-estrutura, novas contratações, e vai também congelar os salários do funcionalismo. Sem contar que aumenta o número de contratos precários e a terceirização.
Temos que acabar com o discurso do governo e mostrar que nós é que queremos que os trabalhadores e o povo pobre e negro estejam na universidade. Para isso é necessário um programa, um projeto de universidade do movimento estudantil e dos trabalhadores, que possa ganhar o apoio da sociedade para o nosso projeto e derrotar o governo Lula.


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SE ATACAM UM, ATACAM TODOS!

Em 2007 os estudantes lutaram contra o projeto dos governos e das burocracias acadêmicas que, junto às empresas, querem ligar ainda mais o conhecimento e as universidades ao grande capital. Nas estaduais com os decretos de Serra, na Fundação Santo André aumento de mensalidades antes de proporem o fechamento dos cursos de humanas, na PUC com redesenho institucional e nas federais com o REUNI, os estudantes foram os que mais saíram às ruas. Em resposta às mobilizações e às ocupações de Reitorias estudantes e trabalhadores das universidades estão sendo punidos ou perseguidos pelos “democráticos” governos das universidades com o apoio do estado burguês:

· Na USP 40 sindicâncias estão em curso, seis estudantes estão sendo indiciados acusados de agressão física a um professor, e em torno de 15 trabalhadores (inclusive importantes ativistas de suas unidades e destacados membros do sindicato) estão sofrendo perseguição com risco de serem demitidos ou até processo criminais, além de, em alguns casos, não os permitir mudar seu horário para estudar.
· Na UNICAMP, durante a greve se instaurou sindicância a sete alunos. E agora uma nova foi aberta contra os integrantes do centro acadêmico de ciências humanas, CACH.
· Na UNESP de Araraquara 4 estudantes estão sendo sindicados, por um ato com 100 estudantes que pintou bancos e caixas eletrônicos (contra a iniciativa privada dentro do campus), e 3 foram condenados - em primeira instância - a 2 anos de prisão pela ocupação.
· 61 demissões aos metroviários por uma paralisação de um dia.
· Na Fundação Santo André, a tropa de choque invadiu o campus duas vezes, para desocupar os estudantes, prendendo-os por várias horas.
· Na PUC-SP, após a desocupação da reitoria, contra o redesenho institucional (processo que visa ligar mais profundamente a universidade ao mercado de trabalho e as empresas) a polícia adentrou o campus, depois 30 anos, e ainda move sindicâncias contra 10 estudantes, e alguns processos judiciais! Além de retalhar todos os estudantes que participaram da ocupação de várias maneiras (não parcelando dívidas, matrícula etc).
· Entrada da Polícia Federal em ocupação da UFF, UFBA e perseguição em várias federais.
Além dessas medidas repressivas por parte da reitoria e direções de faculdades existem também a tentativa de acabar com festas e retirada dos espaços dos estudantes. Para ter uma idéia, Gabriel Cohn, diretor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, colocou uma lage de concreto em cima do espaço dos estudantes da Ciências Sociais e Filosofia após ter gradeado o espaço para impedir o uso pelos estudantes.

Dizem que ela existe pra ajudar
Dizem que ela existe pra proteger
EU SEI que ela pode te parar
EU SEI que ela pode te prender!!

Porém a repressão não está apenas nas universidades, aos estudantes, trabalhadores e aos lutadores.
Os trabalhadores do metrô sofrem 61 demissões após a greve que fizeram no ano passado. Os moradores dos morros no Rio ou nas periferias de São Paulo sofrem na pele o extermínio e o racismo da polícia, que tem em sua mira, preferencialmente, jovens e negros. Com o discurso de combater o tráfico a polícia faz um extermínio legitimado pelo governo de Sérgio Cabral no Rio, de Lula e a Tropa de Elite serve de exemplo para o governo de São Paulo nas ações da polícia nas favelas, como a desocupação na favela do Real Parque. Nossa campanha contra a repressão deve denunciar a repressão que sofrem todos os trabalhadores e o povo! Deve se colocar lado a lado da revolta da periferia de Salvador que se levantou contra a violência policial. Precisamos derrotar a repressão que recai sobre todos os que se mobilizaram, impulsionando desde a USP, a referência de todas as lutas do ano passado, uma ampla CAMPANHA CONTRA A REPRESSÃO, com a participação de todos os estudantes, trabalhadores, professores, centros acadêmicos, federações de curso, sindicatos, parlamentares, partidos da esquerda. A primeira tarefa é organizar, a partir de cada comitê local contra a repressão, um ENCONTRO ESTADUAL em SP entre todos os lutadores para barrar a repressão por conta dos processos de luta do ano passado. Precisamos defender os estudantes e trabalhadores e denunciar a violência policial ao povo negro.


Conhecimento para matar jovens e negros?
Você que entrou aqui para estudar como salvar vidas, a entender como a natureza funciona, a utilizar seus conhecimentos para transformar a sociedade, provavelmente não sabe que no espaço dessa universidade tem gente aprendendo a matar e torturar jovens pobres e negros numa escola de policiais?
FORA A ACADEMIA DE POLÍCIA BARRO BRANCO! FORA A PM DO CAMPUS!!!


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Fundação Santo André urgente: fechamento das humanas!
Logo no começo desde ano os estudantes da Fundação Santo André foram surpreendidos com a notícia de que os cursos da Fafil, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras serão fechados. A reitoria decidiu não abrir nenhum curso da FAFIL com a alegação de que não existe um número suficiente de estudantes matriculados.
Na greve dos estudantes da FSA ano passado contra o aumento das mensalidades justamente nestes cursos (que em alguns chegava a mais de 100%) isto já estava anunciado. Este é um ataque aos estudantes que não terão mais estes cursos disponíveis, inclusive os que prestaram vestibular ano passado e foram surpreendidos por esta notícia no dia da matrícula. Os professores estão com os dias de seus trabalhos contados. Além disso é um ataque tremendo às ciências humanas que são cada vez mais deixadas de lado uma vez que é mais difícil ligá-las ao grande capital (no caso do ABC as grandes metalúrgicas).
Justamente na universidade onde a repressão aos estudantes para desocupar a Reitoria e tentar minar o movimento contou com a polícia batendo e ameaçando estudantes, a burocracia acadêmica junto à administração municipal do PT quer mostrar sua força e seu elitismo contra os estudantes e lutadores que realmente se colocaram em defesa do ensino e ao direito de estudar.
Esta é uma medida que começa na FSA mas que pode se expandir para outras universidades particulares. Não podemos permitir que uma reitoria autoritária junto aos governos coloquem restrições ao ensino, pesquisa e à licenciatura.
Em defesa das ciências humanas e contra o fechamento da Fafil-FSA!!!!
Organizar solidariedade na USP, como campanhas de cartazes, abaixo-assinado, atos etc.


Todo apoio à luta dos trabalhadores da Ceralit!!!
A fábrica Ceralit, uma importante planta do setor químico em óleo e biocombustível, localizada em Campinas, está ocupada pelos trabalhadores para impedir a retirada das máquinas, que podem garantir o pagamento dos direitos depois que o patrão demitiu vários trabalhadores e atrasou os salários. Chamamos a fortalecer o apoio a essa luta e a lutar para que os trabalhadores sigam o exemplo de Zanon, fábricas de cerâmica no sul da Argentina, que está ocupada, produzindo e gerando novos postos de trabalho há mais de 6 anos, sob controle dos trabalhadores e sem patrões. Os trabalhadores podem controlar a produção muito melhor do que os patrões porque não visam o lucro. Façamos uma ampla campanha de solidariedade e o ME deve estar junto aos trabalhadores nessa luta!


Ultimas notícias: GREVE dos trabalhadores da EEL/USP (ex-Faenquil)!!!
A Faenquil, faculdade de engenharia química de Lorena, foi incorporada à USP, seu nome mudou para EEL e seus estudantes passaram a ser estudantes da USP. Porém, com os trabalhadores não se deu o mesmo, não foram incorporados como trabalhadores da USP, com os mesmos salários e direitos. Os trabalhadores da EEL entraram em greve no dia 25 de fevereiro reivindicando seus direitos. Os estudantes devem organizar solidariedade ativa à essa luta!! Incorporação imediata dos trabalhadores da EEL ao quadros de funcionários da USP!!!


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Participe do 8 de março Classista e anti-governista!!

A Marcha Mundial de Mulheres todos os anos organiza o ato de 8 de março. No entanto, essa organização é dirigida pela mesma corrente (Democracia Socialista/PT) que faz parte a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, que permita que meninas sejam estupradas nas cadeias masculinas desse estado. Além disso, dessa marcha participa o PSOL de Heloísa Helena, que faz coro com a igreja contra o direito elementar das mulheres decidirem sobre seu próprio corpo.
Neste 8 de março, participe do ato classista e anti-governista, na Pça Oswaldo Cruz (início da Av. Paulista), às 10h. O Movimento A Plenos Pulmões chama todos os estudantes e trabalhadores para marchar junto ao bloco que estamos organizando nesse ato.


Atividades impulsionadas pelo Movimento A Plenos Pulmões:

Durante a calourada unificada da FFLCH, quarta-feira (27/02), a partir das 17h30, atividades do Comitê contra a repressão – USP no espaço dos estudantes da Ciências Sociais:
- Vídeo sobre a repressão
- Debate com ADUSP, Sintusp e DCE sobre a repressão
- FESTA contra a repressão!!!

Durante as oficinas da calourada unificada do DCE – quinta-feira (28/02):
- Oficina “A crise econômica e o socialismo do século XXI....aonde vai Cuba?”
- Oficina “Ocupação e repressão”
– com estudantes da PUC, Fundação Santo André, UNESP, Unicamp, entre outros.

Discussões sobre a Mulher trabalhadora no Sintusp, às 12h, com a participação Dr. Mauro Iasi (sociólogo); Renata Piekarski (funcionária/ USP); Conlutas; PSTU; LER-QI; PCO:
- “8 de março (histórico) – a mulher e a revolução” – 05/03
- “A mulher frente à opressão e o Estado capitalista” – 06/03

Conheça as Casas Socialistas de Cultura e Política!
Rio Pequeno – Rua Dr. Sérgio Ruiz Albuquerque, 217 – travessa da Av. Rio Pequeno em frente à padaria “5 Quinas”
Vila Madalena – Pça Américo Jacomino, 49 – em frente ao metrô Vila Madalena
Acompanhe as informações das atividades através do site: www.ler-qi.org





CAMPINAS - CALOURADA 2008


A universidade em crise e as lutas estudantis!


Neste ano as calouradas não serão iguais as anteriores, pois a
universidade e o movimento estudantil (ME) já não podem ser
considerados o mesmo depois da forte greve que fizemos no ano
passado. Nós, do Movimento A Plenos Pulmões, queremos reabrir o
debate sobre o que e como aconteceram as nossas lutas em 2007,
para que possamos compartilhar com os ingressantes as lições que
tiramos destes processos.
Tudo começou com os Decretos de Serra, que impôs mudanças
importantes às universidades estaduais paulistas. Estes não foram
ataques isolados, mas parte de um projeto maior da burguesia, que
necessita impor uma contra-reforma para adequar as universidades
as suas atuais necessidades. Além dos Decretos de São Paulo, temos
o REUNI de Lula, a Universidade Nova de Naomar da UFBA, os cortes
de bolsas e aumento das mensalidades nas particulares, dentre
muitos outros.
Os Decretos eram autoritários e feriam a autonomia das
universidades paulistas. Foi então que começou o descontentamento,
acendendo o pavio. No entanto, foram os estudantes que estouraram
as primeiras bombas, ocupando a reitoria da USP, e dando início a
maior greve que já fizemos nestes últimos anos, com métodos
radicalizados e assembléias massivas, ocupações de várias diretorias
e prédios pelo estado a fora, manifestações de rua... E a criação no
final da greve de um Comando Estadual de Delegados de Base, ou
seja, as assembléias elegiam pessoas com mandatos para decidir
democraticamente os rumos da greve.
Algumas cabeças caíram, outros balançaram! Fizemos o governo
recuar em parte nos Decretos, mas não impusemos uma derrota ao
seu projeto. Para nós, o movimento estudantil radicalizou seus
métodos, mas não radicalizou seu programa. Ou seja, faltou levantar
um projeto que desse a nossa saída para a crise da universidade.
Para isso, não podemos continuar lutando sozinhos, mas aumentar
nossas fileiras para centenas de milhares. E achamos que a única
maneira de transformar a universidade de fato é nos ligando a
maioria da população: a classe trabalhadora e o povo pobre.

Não queremos neste texto esgotar o rico debate sobre a nossa luta do
ano passado, apenas incitar a vontade de discuti-la mais. A crise da
universidade vem se aprofundando a cada medida dos governos,
criando uma bolha que voltará a explodir em mobilizações. E nós
estudantes seremos novamente vanguarda deste processo! E você
calouro, será parte ativa destas lutas...


Lutar em defesa dos funcionários da Funcamp!
Pela aliança operário-estudantil!

Nos anos 1990, ao mesmo tempo em que se diminuíam as verbas públicas para as
universidades, aumentava-se a terceirização e a precarização do trabalho. Aqui na Unicamp a
terceirização encontra-se num estágio avançado. Já quase não encontramos funcionários efetivos nos
postos mais “baixos” (limpeza, manutenção, cozinha, etc) e começa a entrar nos postos considerados
“fins” (administração, etc). Este processo veio acompanhado por uma série de improbidades
administrativas e suspeitas de corrupção. É o caso das contratações feitas pela Funcamp (uma
fundação privada da Unicamp) nos anos 1990, que usou o orçamento público da universidade para
fazer contratações via fundação privada. Acontece que, depois de anos sem mexer uma palha para
proteger os trabalhadores, o Ministério Público entrou com uma ação contra a universidade,
considerando os contratos nulos e exigindo a demissão de todos os funcionários, sem receber seus
direitos. Ao invés de punir os verdadeiros culpados, a burocracia acadêmica desta universidade, jogam
novamente a culpa aos trabalhadores que dedicaram 15 anos de trabalho para esta instituição e vêem
seus postos de trabalho ameaçados.
O Sindicato do Trabalhadores da Unicamp (STU), sindicato dirigido pelos governistas do PCdoB é
complacente com as demissões, que passam de 1.000. Primeiro, entrou com uma ação judicial em
1994 contra a terceirização, que a primeira vista parecia correta, mas na verdade mostrava que esses
dirigentes confiam na justiça burguesa e impedem a mobilização combativa dos trabalhadores – único
método capaz de dobrar a patronal e mesmo a justiça. Porém, seu corporativismo, incapaz de defender
o conjunto da classe, pensava unicamente na sua base sindical, que começava a diminuir devido a
terceirização. Sua bandeira é “fora os terceirizados e pela abertura de concursos públicos”, ou seja,
demissão em massa dos terceirizados - como se o direito ao emprego tenha que ser subjetivo às
“provas” desses concursos fraudulentos e lucrativos para as universidades e empresas que os realizam.
Os trabalhadores que não têm estudo e qualificação – a maioria dos terceirizados – estão condenados
ao desemprego pois nunca serão aprovados. No ano passado, quando explodiu a luta dos funcionários
da Funcamp contra as demissões, onde nós do Movimento A Plenos Pulmões a partir do CACH e vários
independentes estivemos ombro a ombro, o PCdoB/STU jogou contra a luta, negociando as “demissões
com direitos”.
Nós defendemos a contratação de novos funcionários via concurso público, como mecanismo de
controle contra o “cabide de emprego” - cargos nomeados pelos políticos e governantes – mas achamos
que não considerar o simples fato de que os terceirizados – com salários e direitos rebaixados – são as
vítimas da ofensiva neoliberal só pode levar a condená-los ao desemprego ou a continuarem sendo
superexplorados, pois o plano dos governantes e dos dirigentes das universidades é “enxugar a
máquina” e diminuir os gastos com salários e benefícios em prol dos interesses dos capitalistas., Essa
postura atenta contra a unidade da classe, aceitando a divisão dos trabalhadores em “terceirizados” e
“efetivos”. Nenhum terceirizado entrará numa luta contra a sua precarização ou em defesa dos
interesses comuns com os efetivos sabendo que será demitido no final ou não receberão as conquistas
da luta. E se tornará cada vez mais difícil ter uma forte luta entre os trabalhadores das universidades
sem a unidade entre efetivos e terceirizados. Por isso levantamos a luta contra a terceirização e que
todos os funcionários terceirizados, que já trabalham na universidade, o que prova que são aptos para
suas funções, sejam incorporados de forma imediata e sem concurso na universidade como efetivos,
recebendo os mesmos direitos.
Nós, do Movimento A Plenos Pulmões, chamamos a todos os estudantes, entidades combativas
da Unicamp, organizações a organizar uma forte luta na calourada contra as demissões dos
funcionários da Funcamp.

Curso sobre “MAIO DE 68:
a insurgência estudantil” e Plenária da APP.
Participe do curso sobre Maio de 68 e a Plenária aberta
do Movimento A Plenos Pulmões
Data: 15 e 16 de março
Local: chácara próxima de Campinas
A Reitoria da FSA não abaixa as mensalidades
e prefere fechar os cursos!

Não podemos permitir!

Construir já um MOVIMENTO EM DEFESA DA FAFIL!

O ano passado foi marcado por duras lutas no movimento estudantil. Na Fundação Santo André, passamos por uma greve de mais de 50 dias que se iniciou contra os aumentos absurdos de mensalidade que a reitoria queria impor e fomos reprimidos duramente pela Tropa de Choque a mando da reitoria controlada por Odair Bermelho e pela prefeitura de Avamileno.
Naquele momento, a reitoria retrocedeu em seu plano de aumentar abusivamente as mensalidades. Mas não retrocedeu em levar até o final o seu plano de transformar a FSA em uma universidade que esteja a serviço dos interesses dos grandes capitalistas do ABC. O ano letivo começou com um ataque nunca visto em outras universidades brasileiras: de uma só vez a reitoria da Fundação está fechando todos os cursos de licenciatura, ou seja, está acabando com a FAFIL. Sabemos que essa é uma decisão política: além de não servir aos interesses maiores da burguesia, foram os cursos da FAFIL os protagonistas da mobilização do ano passado e agora a reitoria vem com tudo para cortar as nossas cabeças.
Os estudantes que se inscreveram para o vestibular dos cursos de licenciatura oferecidos pela FSA estão impedidos de estudar. Além disso, há turmas de 4º ano da manhã que estão sendo cortadas e os estudantes obrigados a se transferir para o noturno (quem trabalha à noite fica sem opção). Mas eles não são os únicos atacados. Quem já estuda ou se formou na FAFIL, vai carregar pro resto da vida um diploma que não vai ser valorizado (de uma faculdade que fechou), se esse ataque da reitoria não for barrado. O ensino fundamental e médio do ABC também está sendo atacado, pois a imensa maioria dos professores da região é formada aqui. E são atacados também os trabalhadores da região e suas famílias, impedidos de ingressar na universidade e escolher seu curso, sendo forçados a estudar nos cursos mais técnicos para ter sua força de trabalho ainda mais explorada.



Mobilizar já estudantes, professores, funcionários e a população em defesa da FAFIL!



Precisamos tirar as lições do movimento de 2007 para agora nos unificar e impedir que a reitoria leve esse processo até o final. No ano passado, as direções do movimento tomaram uma série de decisões que levaram nosso movimento a ficar a reboque de uma ala dos professores que colocava como eixo central a queda do reitor sem questionar a fundo a quem serve esse modelo de universidade e muito menos a estrutura de poder. Com uma discussão de trocar um reitor por outro, o movimento ficou refém das decisões tomadas pela prefeitura de Santo André e dos conselhos internos da Fundação que jamais se colocariam ao lado dos estudantes que estavam em luta. Naquele momento, nós defendíamos que a pauta dos estudantes votada no início da greve (um dos pontos era contra o fechamento dos cursos) não fosse abandonada, como forma de massificar a luta e reunir a força capaz de não somente derrubar o reitor, mas o conjunto da burocracia acadêmica que já deixava nítido que queria acabar com a FAFIL e colocar a FSA mais a serviço dos empresários. Infelizmente, as direções do movimento preferiram deixar a luta pela queda do reitor como única bandeira. O resultado foi não somente a derrota nessa luta, mas que a burocracia acadêmica mantivesse seus planos de ataque.
Hoje, com esse ataque brutal da reitoria à FAFIL, podemos tirar a lição que só com uma política independente contra a burocracia acadêmica, com radicalização dos métodos, questionando seriamente a forma como a universidade é gerida e a serviço de que interesses está essa gestão é que poderíamos ter impedido a ofensiva da reitoria em extinguir os cursos que mais se colocaram em luta no ano passado. Agora temos a tarefa de tirar as lições da luta de 2007 e reorganizar nossas forças para travar uma luta que não permita a reitoria acabar com a FAFIL.
Se esse ataque passar, será uma derrota histórica! Os estudantes não podem assistir a isso passivamente; é urgente colocar-se em cena. Os professores da FAFIL, que estão com seus empregos ameaçados, precisam se colocar ativamente. Chamamos o Diretório Acadêmico (formado por Dalmo e PSTU, junto com estudantes independentes) , a se colocar se colocar à frente dessa luta. É necessário unir todas as forças para barrar esses ataques em base à um plano ofensivo de luta, rechaçando qualquer perspectiva derrotista que tente colocar qualquer setor do movimento. Nosso movimento, que protagonizou uma enorme luta e conseguiu impor o recuo no aumento das mensalidades e na repressão, temos agora que reorganizar as nossas forças para barrar mais esse ataque e passar à ofensiva.
Nós do Movimento A Plenos Pulmões colocaremos todas as nossas forças para fazer uma ampla campanha e colocamos a seguir as nossas propostas de ações imediatas:

1. Precisamos imediatamente exigir que reitoria mostre as listas de todos aqueles que se inscreveram no vestibular e que estão sendo impedidos por ela de fazer o curso que escolheram. Sabemos que cada estudante que entrou nos cursos da FAFIL foi orientado pelas secretarias da Fundação a fazer sua matrícula nos cursos que interessam à reitoria manter!
2. Precisamos nos organizar a partir de cada curso, levantando os nomes de cada um que prestou o vestibular, organizar plantões na FSA para conversar com os estudantes (que virão buscar de volta seu dinheiro da matrícula) e chamá-los a se unir nessa luta. Junto com eles vamos provar mais uma mentira da reitoria, que é a de que não tem número suficiente de alunos para abrir os cursos!
3. Para que todos tenham suas vagas garantidas exigir que as mensalidades sejam reduzidas, pois com o alto preço cobrado é impossível que um jovem trabalhador possa pagar!
4. Publicar uma carta aberta aos estudantes da FAENG e da FAECO e buscar o seu apoio ativo. Essa é uma luta de todos os estudantes da Fundação! Não podemos cair no erro que cometemos no ano passado e deixar nossa luta isolada.
5. Publicar uma carta aberta aos funcionários da FSA, que também terão seus empregos ameaçados com o fechamento da FAFIL. Precisamos não só chamá-los a apoiar a luta dos estudantes e professores, mas também colocar como parte da nossa luta a defesa do emprego dos funcionários da Fundação.
6. Que os professores lancem uma carta aberta em defesa da FAFIL, recolhendo assinaturas de professores e intelectuais de todo o país. Além disso, os professores podem convocar uma coletiva de imprensa na FAFIL, para dar maior repercussão à nossa luta.
7. Vamos mostrar à população do ABC que a reitoria e a prefeitura de Santo André quer impedir que os filhos dos trabalhadores possam estudar na FSA. Colar cartazes pelas ruas do ABC e fazer um abaixo-assinado de rua (estações de trem, terminais de ônibus, portas de fábrica, escolas e faculdades) exigindo a abertura das turmas, redução de mensalidade e reabertura de matrícula.
8. Buscar o apoio de todas as entidades estudantis, pois o plano de acabar com os cursos de licenciatura é parte de um plano nacional para a educação. Chamar a CONLUTE a impulsionar junto com a gente uma campanha nacional em defesa da FAFIL
9. Chamar todos os sindicatos do ABC a impulsionar essa luta, já que esse é um ataque direto a cada trabalhador que está relegado a fazer cursos técnicos de especialização para poder vender sua força de trabalho. Convocar as diretorias e oposições da APEOESP a impulsionar essa mobilização, já que é um ataque direto à formação de professores no ABC.
10. Convocar um grande ato na FSA em defesa da FAFIL para o início da semana que vem, trazendo todo o apoio que conseguirmos ao longo dessa semana. A partir desse ato,
constituir um comitê em defesa da FAFIL.



* Aos estudantes de Ciências Sociais:
Precisamos manter a resolução de organizar o ERECS (Encontro Regional de Ciências Sociais) aqui na FSA. No ano passado, essa decisão foi tomada justamente para fortalecer a luta contra o fechamento do curso. Propomos convocar para o mais breve possível um CORECS (Coordenação Regional de Ciências Sociais) na FSA, convocando os estudantes de Ciências Sociais de toda a região Sudeste a fortalecer a luta em defesa da FAFIL.



Para discutir e implementar essas e outras propostas, propomos organizar assembléias por curso e uma assembléia geral ainda nessa semana. Para nós, as assembléias de curso devem votar suas posições e propostas que devem ser levados por delegados eleitos nessas mesmas assembléias para a assembléia geral.