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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Plenária do Movimento A Plenos Pulmões
Os capitalistas que paguem pela crise!
Organização dos estudantes junto aos trabalhadores!
Frente a tentativa de demissão do companheiro brandão as atividades do Movimento A Plenos Pulmões, incluindo nossa plenária, foram transferidas para a USP. Justamente porque é muito importante que a juventude encampe essa luta que já ganha apoio em todo o país. Desde ontem estudantes e trabalhadores se organizaram e estão acampados em frente a reitoria como forma de protesto à demissão.
Acompanhe a programação cultural do acampamento no domingo pelo blog da campanha.
Veja o blog da campanha:
http://contraademissaodebrandao.blogspot.com/
Sábado, 13|12, a partir das 14hs :
Teleconferência com estudantes da Itália e do Estado Espanhol
Plenária estadual do movimento
Apresentação do núcleo Pão e Rosas
local - Sintusp
Após a plenária:
FESTA
Contra a Demissão do Brandão
Sábado, 13|12, em frente a reitoria da USP
SINTUSP
Av. Profº Luciano Gualberto, travassa J, 374 - C. Universitária - Butantã
(ao lado da ECA)
Vídeo-panfleto:
http://br.youtube. com/watch? v=sKNe4qiZpvU
Organização dos estudantes junto aos trabalhadores!
Frente a tentativa de demissão do companheiro brandão as atividades do Movimento A Plenos Pulmões, incluindo nossa plenária, foram transferidas para a USP. Justamente porque é muito importante que a juventude encampe essa luta que já ganha apoio em todo o país. Desde ontem estudantes e trabalhadores se organizaram e estão acampados em frente a reitoria como forma de protesto à demissão.
Acompanhe a programação cultural do acampamento no domingo pelo blog da campanha.
Veja o blog da campanha:
http://contraademissaodebrandao.blogspot.com/
Sábado, 13|12, a partir das 14hs :
Teleconferência com estudantes da Itália e do Estado Espanhol
Plenária estadual do movimento
Apresentação do núcleo Pão e Rosas
local - Sintusp
Após a plenária:
FESTA
Contra a Demissão do Brandão
Sábado, 13|12, em frente a reitoria da USP
SINTUSP
Av. Profº Luciano Gualberto, travassa J, 374 - C. Universitária - Butantã
(ao lado da ECA)
Vídeo-panfleto:
http://br.youtube. com/watch? v=sKNe4qiZpvU
Abaixo-assinado contra a demissão de Claudionor Brandão
No dia 09/12/08, a reitoria da Universidade de São Paulo alegou demissão por justa causa a Claudionor Brandão, diretor do SINTUSP e representante eleito dos funcionários no Conselho Universitário. Essa medida faz parte de um processo de perseguição e punição a setores do movimento operário, estudantil e de movimentos sociais. Brandão fez parte, em diversos momentos, das lutas em defesa da universidade pública e da educação de qualidade e é por esse motivo que agora a reitoria da USP tenta colocá-lo na cada vez mais longa lista de demitidos políticos pelo país a fora.
Como delegado sindical e diretor do SINTUSP eleito em fóruns da categoria, Brandão sempre esteve à frente da defesa dos interesses do conjunto dos trabalhadores da universidade, se pautando em deliberações legitimamente tomadas pelos trabalhadores em suas assembléias e instâncias de decisão. Por tudo isso, as entidades, associações e movimentos abaixo-assinados REPUDIAMOS A DEMISSÃO do diretor do SINTUSP Claudionor Brandão. Trata-se de um ataque duríssimo à liberdade de organização sindical e política dos trabalhadores, estudantes e ao próprio SINTUSP. Exigimos a REINCORPORAÇÃO IMEDIATA E INCONDICIONAL de Claudionor Brandão aos quadros da universidade e a retirada de todos os processos administrativos e sindicâncias aos estudantes, trabalhadores e professores que lutaram em defesa da universidade.
Como delegado sindical e diretor do SINTUSP eleito em fóruns da categoria, Brandão sempre esteve à frente da defesa dos interesses do conjunto dos trabalhadores da universidade, se pautando em deliberações legitimamente tomadas pelos trabalhadores em suas assembléias e instâncias de decisão. Por tudo isso, as entidades, associações e movimentos abaixo-assinados REPUDIAMOS A DEMISSÃO do diretor do SINTUSP Claudionor Brandão. Trata-se de um ataque duríssimo à liberdade de organização sindical e política dos trabalhadores, estudantes e ao próprio SINTUSP. Exigimos a REINCORPORAÇÃO IMEDIATA E INCONDICIONAL de Claudionor Brandão aos quadros da universidade e a retirada de todos os processos administrativos e sindicâncias aos estudantes, trabalhadores e professores que lutaram em defesa da universidade.
Favor enviar adesões para: sintusp1@terra.com.br
com cópia para
contraademissaodobrandao@yahoo.com.br
com cópia para
contraademissaodobrandao@yahoo.com.br
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Atividades na Casa Socialista Karl Marx
Chamamos operários e estudantes para participarem nos próximos fins de semana das atividades políticas, culturais e festas que vamos realizar na Casa Socialista Karl Marx na Vila Madalena.
Churrasco e debate entre trabalhadores
6 de dezembro, 13h
Diversos trabalhadores, de várias categorias, junto com estudantes combativos, estão organizando para o próximo sábado (06/12) um churrasco onde realizaremos uma atividade social e política com amigos e familiares que compartilham das idéias expressas no jornal Palavra Operária. Estão convidados leitores e jovens trabalhadores que conhecem ou desejam conhecer as propostas dos socialistas revolucionários. Nesta atividade discutiremos a profunda crise econômica mundial que os capitalistas já procuram descarregar sobre nossos ombros, para manter seus lucros e seu domínio parasitário. Venha, com seus amigos e familiares, compartilhar entre trabalhadoras e trabalhadores momentos de confraternização e reflexão sobre como devemos encarar esta sociedade capitalista e dar passos para sua transformação em prol da maioria explorada e oprimida. PARTICIPE!
6 de dezembro, 13h
Diversos trabalhadores, de várias categorias, junto com estudantes combativos, estão organizando para o próximo sábado (06/12) um churrasco onde realizaremos uma atividade social e política com amigos e familiares que compartilham das idéias expressas no jornal Palavra Operária. Estão convidados leitores e jovens trabalhadores que conhecem ou desejam conhecer as propostas dos socialistas revolucionários. Nesta atividade discutiremos a profunda crise econômica mundial que os capitalistas já procuram descarregar sobre nossos ombros, para manter seus lucros e seu domínio parasitário. Venha, com seus amigos e familiares, compartilhar entre trabalhadoras e trabalhadores momentos de confraternização e reflexão sobre como devemos encarar esta sociedade capitalista e dar passos para sua transformação em prol da maioria explorada e oprimida. PARTICIPE!
Movimento A Plenos Pulmões (APP)
13 e 14 de dezembro
Será mais uma ocasião onde vamos reunir todos os membros, simpatizantes e amigos em atividades abertas para refletir sobre os problemas da realidade e os desafios da juventude, combinado com cultura e diversão. Chamamos especialmente aqueles que simpatizam com nossas idéias e atuam conosco constantemente, mas ainda não estão convencidos da importância de organizar-se politicamente. A estes dissemos: mais que nunca a realidade está nos colocando essa tarefa e chamamos a discutir conosco o rascunho de um “Manifesto da APP frente à crise capitalista” que vamos debater numa plenária aberta no sábado, dia 13, às 14:00, a qual abriremos com uma Tele-conferência companheiros da Fração Trotskista – Quarta Internacional, organização internacional da LER-QI, que atuam na Europa e estão participando dos processos que vem protagonizando a juventude neste continente que viemos seguindo através desse jornal. Nosso objetivo é abrir uma reflexão desde uma perspectiva internacionalista, e seguindo nossa tradição de inspirar-nos nos fenômenos mais avançados da juventude. Foi nesse marco que realizamos nossa campanha de 40 anos do maio de 68, que para nós nunca foi uma mera lembrança saudosista, mas um exemplo de como a juventude e o movimento estudantil podem adotar uma perspectiva anti-capitalista e pró-operária. Isso é mais urgente frente ao cenário de convulsões sociais, políticas e econômicas que se abre com a crise, que coloca para a juventude enormes desafios. Para nós, quando o movimento estudantil italiano sai às ruas com a consigna “não pagaremos pela sua crise”, está apontando um novo caminho, um novo movimento estudantil. Queremos partir desse debate, em base a uma análise da realidade internacional e nacional, para debater as perspectivas da juventude e do movimento estudantil. Logo após a plenária, as companheiras estudantes e trabalhadoras do Núcleo Pão e Rosas, vão apresentar o manifesto que estão discutindo no movimento, com o intuito de que novas companheiras possam impulsioná-lo mais amplamente em seus locais de estudo e trabalho.. Mas fazemos um chamado muito mais amplo a todos os que queira participar da festa que vamos organizar no sábado à noite, com apresentações culturais, música, comes e bebes. Será só o começo das atividades culturais que vamos realizar durante toda a tarde e noite de domingo.
13 e 14 de dezembro
Será mais uma ocasião onde vamos reunir todos os membros, simpatizantes e amigos em atividades abertas para refletir sobre os problemas da realidade e os desafios da juventude, combinado com cultura e diversão. Chamamos especialmente aqueles que simpatizam com nossas idéias e atuam conosco constantemente, mas ainda não estão convencidos da importância de organizar-se politicamente. A estes dissemos: mais que nunca a realidade está nos colocando essa tarefa e chamamos a discutir conosco o rascunho de um “Manifesto da APP frente à crise capitalista” que vamos debater numa plenária aberta no sábado, dia 13, às 14:00, a qual abriremos com uma Tele-conferência companheiros da Fração Trotskista – Quarta Internacional, organização internacional da LER-QI, que atuam na Europa e estão participando dos processos que vem protagonizando a juventude neste continente que viemos seguindo através desse jornal. Nosso objetivo é abrir uma reflexão desde uma perspectiva internacionalista, e seguindo nossa tradição de inspirar-nos nos fenômenos mais avançados da juventude. Foi nesse marco que realizamos nossa campanha de 40 anos do maio de 68, que para nós nunca foi uma mera lembrança saudosista, mas um exemplo de como a juventude e o movimento estudantil podem adotar uma perspectiva anti-capitalista e pró-operária. Isso é mais urgente frente ao cenário de convulsões sociais, políticas e econômicas que se abre com a crise, que coloca para a juventude enormes desafios. Para nós, quando o movimento estudantil italiano sai às ruas com a consigna “não pagaremos pela sua crise”, está apontando um novo caminho, um novo movimento estudantil. Queremos partir desse debate, em base a uma análise da realidade internacional e nacional, para debater as perspectivas da juventude e do movimento estudantil. Logo após a plenária, as companheiras estudantes e trabalhadoras do Núcleo Pão e Rosas, vão apresentar o manifesto que estão discutindo no movimento, com o intuito de que novas companheiras possam impulsioná-lo mais amplamente em seus locais de estudo e trabalho.. Mas fazemos um chamado muito mais amplo a todos os que queira participar da festa que vamos organizar no sábado à noite, com apresentações culturais, música, comes e bebes. Será só o começo das atividades culturais que vamos realizar durante toda a tarde e noite de domingo.
Acesse o blog do movimento e nos conheça melhor. Nele, você terá acesso aos nossos materiais e ao Desatai o Futuro, nosso boletim de debate marxista, cultura e política
CASA SOCIALISTA DE CULTURA E POLÍTICA KARL MARX
Vila Madalena - Praça Américo Jacomino, 49
Em frente ao metrô vila madalena
Desatai o Futuro nº01
Por que desatar o futuro?
Por Pedro Fassoni Arruda- Profº do Departamento de Política da PUC-SP e Felipe Campos- estudante de Ciências Sociais da Puc-SP e militante do Movimento A Plenos Pulmões.
"Quanto menos se comer, beber, comprar livros, for ao teatro ou a bailes, ou ao botequim, e quanto menos se pensar, amar, doutrinar, cantar, pintar, esgrimir etc., tanto mais se poderá economizar e maior se tornará o tesouro imune à ferrugem e às traças – o capital" (Marx, Manuscritos econômicos e filosóficos).
Nicolau Maquiavel afirmou, numa conhecida passagem d'O Príncipe, que a política possui a sua própria moral – e esta é distinta da moral que rege as relações de amizade ou familiares (afinal, se um príncipe for ofendido e oferecer a outra face, certamente irá à ruína...). Contra a idéia de predestinação, o pensador florentino procurou resgatar a dignidade humana, reconhecendo que os homens são os senhores do seu próprio destino, e que a política é o único instrumento de transformação da realidade: nenhuma prece substitui a ação prática (os políticos podem não conseguir um lugar no Paraíso, mas a recusa em participar da política só pode nos levar ao pior de todos os infernos!). Da mesma forma, Marx se esforçou em compreender a relação entre economia e moral: o processo tautológico de acumulação de capital – um valor que valoriza a si mesmo – segue sua marcha inexorável, independentemente da consciência que os indivíduos possuam; trata-se de leis objetivas que independem da vontade dos próprios burgueses, aqui entendidos como "personificações do capital".
"A antítese entre Moral e Economia Política é em si mesma apenas aparente; há uma antítese e igualmente não há antítese. A Economia Política exprime à sua própria maneira as leis morais" (Marx, Manuscritos...).
A "sociedade dos produtores de mercadorias" (assentada na alienação dos trabalhadores, diante das condições objetivas da produção), com sua lógica da reprodução ampliada, faz abstração das necessidades humanas mais elementares, já que o valor de uso subordina-se ao valor de troca. Sabemos muito bem que a superprodução de alimentos pode coexistir com a fome de bilhões de seres humanos; afinal, o excedente nunca existe em relação à satisfação das necessidades do estômago, e sim em relação à capacidade de consumo em sua forma especificamente capitalista.
Ora, que perspectiva de emancipação o capitalismo pode oferecer à humanidade?
O capitalismo, nos últimos cem anos, só contribuiu para congelar a história, emperrando até mesmo o avanço do progresso, contendo o espraiamento do bem-estar para as classes-que-vivem-do-trabalho. Não se trata do fim da história, como pretendem seus apologistas bem-remunerados, mas de amarrá-la aos imperativos da ordem burguesa, impedindo a sua própria superação.
Se o capitalismo pudesse descrever a si mesmo, e ainda fosse honesto e sincero o bastante, talvez o fizesse nos seguintes termos:
"Na infância, fui mina de carvão, locomotiva a vapor, tear mecânico, concorrência e propriedade sem liberdade. Hoje sou monopólio, ameaça nuclear, congestionamento, poluição, capital fictício e total irracionalidade. Assim como no passado, tenho dificuldades de lidar com a democracia, ainda que formal. Nasci na Inglaterra, no final do século XVIII, das entranhas da sociedade feudal. Expulsei camponeses das terras, anexei territórios, subjuguei povos ditos incivilizados e tudo o que era sólido desmanchei no ar. Sou bárbaro e também reacionário, mas já fui progressista e consegui fazer as pessoas acreditarem nas minhas promessas. As três coisas que mais gosto são: acumular, acumular e acumular. O resto é revolução, lutas de classes e emancipação, mas tenho à disposição todo o aparelho repressivo do Estado para fazer valer a minha vontade de burguês. Sou o responsável pelas guerras, pela exploração e pela alienação social, política e econômica. Alguns me chamam de capitalismo, mas o sobrenome é o mesmo dos meus antepassados: selvagem. Apesar de tudo, tenho consciência de que assim como eu nem sempre existi, um dia vou desaparecer. Marx, Engels e Lênin afirmaram que eu encerro a pré-história da humanidade, mas tenho o condão de criar as condições objetivas para a minha própria superação. Estou morrendo, agonizando, e não me resta outra opção a não ser apelar para a reação, pois a classe trabalhadora já não consegue suportar o ônus dessa jornada. Pra falar a verdade, estou muito velho pra me sustentar, então que venha o novo. Não tenha medo dele...
Sim, desatar o futuro. Quem exige tal superação é o próprio estado de coisas: trata-se de uma necessidade histórica, objetiva. Mas a sua concretização depende da educação revolucionária, da vontade de lutar e da afirmação deste projeto através da força, da união e do trabalho coletivo.
O capitalismo não caíra por si só, será preciso derruba-lo.
A magnitude da crise que assola hoje as economias capitalistas do mundo confirma isso. Era evidente a impossibilidade de estender o padrão de consumo de uma família estadunidense para os restantes 06 bilhões da população planeta. O estabelecimento desse padrão de consumo só era mantido pelos créditos fáceis, com os quais através dos juros faziam a felicidade dos capitalistas(...) Agora os mesmos capitalistas que especulavam e com o suor dos trabalhadores conseguiam seus lucros, veem-se obrigados a redistribuir seus prejuízos nas costas do povo. Enquanto várias famílias norte-americanas não conseguem mais pagar as suas hipotecas e vão morar nos seus carros, trabalhadores começam a ser demitidos em todo o mundo, os governos burgueses injetam trilhões de dólares para salvar as imobiliárias e bancos da falência.
O desenvolvimento das forças produtivas cria as condições objetivas para a superação desta base miserável, em que se encontram os trabalhadores e trabalhadoras do mundo. Este desenvolvimento poderia ser ainda maior mediante abolição da propriedade privada dos meios de produção, e o controle racional num governo dos produtores livremente associados. O imperialismo, que aboliu a "livre concorrência", substituindo-a pelo poder incontrastável dos trustes e cartéis monopolistas, fez desaparecer a "chama vivificadora da concorrência", como Marx prognosticara no Capital, e Lênin constatara quando escreveu seu conhecido esboço popular, O imperialismo fase superior do capitalismo. A possibilidade objetiva de deter o próprio progresso técnico tornou-se realidade, razão pela qual Lênin sentiu a necessidade de ... Desatar o futuro. Infelizmente, a história não se desenvolve linearmente, e a burocratização do sistema soviético, depois do alijamento dos melhores quadros da revolução, acorrentou novamente os trabalhadores. Estes caíram em grilhões ainda mais pesados, feitos de ferro maciço forjado por operários, cujas jornadas no interior das smokestack industries ("fábricas de chaminé") eram tão extenuantes como em qualquer sociedade capitalista. É preciso recuperar a esperança de construir um mundo melhor, através da experiência da história e do conhecimento do atual estado de coisas...
Não há capitalismo organizado. As únicas coisas que ele é capaz de organizar são a exploração, a disciplina dentro dos muros da fábrica e seus aparelhos repressivos, como a polícia e o exército. Sequer a produção de mercadorias (submetida à anarquia do mercado) e a partilha do butim podem ser organizadas. Também os capitalistas matam uns aos outros. Quem pretender "humanizar a face do capitalismo" mediante reformas esbarrará em limites objetivos.
O capital não tem pátria. O Estado nacional, contraditoriamente, organiza a dominação de classe através do seu "comitê executivo", que administra os interesses comuns das frações burguesas. Nem pátria nem patrão, mas não há como acabar o poder sem antes tomá-lo de assalto.
Então, como desatar o futuro? Sejamos realistas, só pediremos o que for possível, conforme um "programa mínimo":
Nas fábricas: desatar o nó da gravata dos chefes e gerentes (meros cães-de-guarda da classe patronal), substituindo os "colarinhos brancos" e outros símbolos de poder – e o próprio poder – pela cooperação. Abolir os cargos burocráticos não-ligados à atividade diretamente produtiva. Eliminar os parasitas, ou seja, os proprietários e seus lacaios que formam a aristocracia operária. Ocupação, autogestão, conselhos de fábricas, abolição da divisão do trabalho, isonomia entre homens e mulheres, reduzir as jornadas de trabalho ao máximo para trabalhar todos e menos; submeter todo o processo produtivo ao controle racional dos trabalhadores, que regularão o metabolismo com a natureza com o menor emprego de força humana possível, como o mínimo desperdício e a maior eficiência. Usar o tempo livre de forma criativa: aprender a tocar um instrumento, viajar, dançar, amar, passear com a família e o cachorro, praticar esportes e estudar, discutir, deliberar, questionar, refletir;
A liberdade de cada um é a condição da liberdade de todos, em substituição da idéia burguesa de que "a liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro". Explosão de guaritas, colocar abaixo os muros de condomínios fechados, mudar nomes das ruas que homenageiam os patrões, milícia operária e popular em substituição da polícia burocratizada/militar/assassina/defensora da propriedade;
Nas escolas e universidades: desatar o conhecimento, expulsar a ignorância. Recriar o marxismo tirando-o das mãos dos liberais que esgotam suas ações revolucionárias. Voltar a produção de conhecimento aos trabalhadores torna-la pública de fato, expulsando os bancos, fundações e até mesmo a igreja que almejam impor as diretrizes do saber. Relação entre escola e empresa? Só se ambos estiverem sob controle dos produtores diretos. Ah, e já que pretendemos derrubar os muros que separam os países, acabar com as catracas nas universidades, sejam elas –as catracas – visíveis ou não. E não apenas levar a classe trabalhadora até a universidade, mas também levar a universidade até os trabalhadores; Desatar a Universidade para desatar a sociedade, não aceitar a formação que nos é imposta para dar continuidade a ordem sangrenta do capital, não ser o advogado que livra a cara das empreiteiras para não pagar direito e indenizações aos trabalhadores, sociólogos que teorizam em Ong´s a ilusão de um regime falido suavizando a exploração e opressão do povo pobre, historiadores que relatam a história do “branco vencedor” e do “negro derrotado”. Defender os trabalhadores nas suas lutas até as últimas circunstancias, denunciar para sociedade à ganância dos ricos que sustentam a miséria dos explorados. Defender o futuro próspero da humanidade sem idealismo, enfrentando aqueles que impedem que ele chegue!
Por Pedro Fassoni Arruda- Profº do Departamento de Política da PUC-SP e Felipe Campos- estudante de Ciências Sociais da Puc-SP e militante do Movimento A Plenos Pulmões.
"Quanto menos se comer, beber, comprar livros, for ao teatro ou a bailes, ou ao botequim, e quanto menos se pensar, amar, doutrinar, cantar, pintar, esgrimir etc., tanto mais se poderá economizar e maior se tornará o tesouro imune à ferrugem e às traças – o capital" (Marx, Manuscritos econômicos e filosóficos).
Nicolau Maquiavel afirmou, numa conhecida passagem d'O Príncipe, que a política possui a sua própria moral – e esta é distinta da moral que rege as relações de amizade ou familiares (afinal, se um príncipe for ofendido e oferecer a outra face, certamente irá à ruína...). Contra a idéia de predestinação, o pensador florentino procurou resgatar a dignidade humana, reconhecendo que os homens são os senhores do seu próprio destino, e que a política é o único instrumento de transformação da realidade: nenhuma prece substitui a ação prática (os políticos podem não conseguir um lugar no Paraíso, mas a recusa em participar da política só pode nos levar ao pior de todos os infernos!). Da mesma forma, Marx se esforçou em compreender a relação entre economia e moral: o processo tautológico de acumulação de capital – um valor que valoriza a si mesmo – segue sua marcha inexorável, independentemente da consciência que os indivíduos possuam; trata-se de leis objetivas que independem da vontade dos próprios burgueses, aqui entendidos como "personificações do capital".
"A antítese entre Moral e Economia Política é em si mesma apenas aparente; há uma antítese e igualmente não há antítese. A Economia Política exprime à sua própria maneira as leis morais" (Marx, Manuscritos...).
A "sociedade dos produtores de mercadorias" (assentada na alienação dos trabalhadores, diante das condições objetivas da produção), com sua lógica da reprodução ampliada, faz abstração das necessidades humanas mais elementares, já que o valor de uso subordina-se ao valor de troca. Sabemos muito bem que a superprodução de alimentos pode coexistir com a fome de bilhões de seres humanos; afinal, o excedente nunca existe em relação à satisfação das necessidades do estômago, e sim em relação à capacidade de consumo em sua forma especificamente capitalista.
Ora, que perspectiva de emancipação o capitalismo pode oferecer à humanidade?
O capitalismo, nos últimos cem anos, só contribuiu para congelar a história, emperrando até mesmo o avanço do progresso, contendo o espraiamento do bem-estar para as classes-que-vivem-do-trabalho. Não se trata do fim da história, como pretendem seus apologistas bem-remunerados, mas de amarrá-la aos imperativos da ordem burguesa, impedindo a sua própria superação.
Se o capitalismo pudesse descrever a si mesmo, e ainda fosse honesto e sincero o bastante, talvez o fizesse nos seguintes termos:
"Na infância, fui mina de carvão, locomotiva a vapor, tear mecânico, concorrência e propriedade sem liberdade. Hoje sou monopólio, ameaça nuclear, congestionamento, poluição, capital fictício e total irracionalidade. Assim como no passado, tenho dificuldades de lidar com a democracia, ainda que formal. Nasci na Inglaterra, no final do século XVIII, das entranhas da sociedade feudal. Expulsei camponeses das terras, anexei territórios, subjuguei povos ditos incivilizados e tudo o que era sólido desmanchei no ar. Sou bárbaro e também reacionário, mas já fui progressista e consegui fazer as pessoas acreditarem nas minhas promessas. As três coisas que mais gosto são: acumular, acumular e acumular. O resto é revolução, lutas de classes e emancipação, mas tenho à disposição todo o aparelho repressivo do Estado para fazer valer a minha vontade de burguês. Sou o responsável pelas guerras, pela exploração e pela alienação social, política e econômica. Alguns me chamam de capitalismo, mas o sobrenome é o mesmo dos meus antepassados: selvagem. Apesar de tudo, tenho consciência de que assim como eu nem sempre existi, um dia vou desaparecer. Marx, Engels e Lênin afirmaram que eu encerro a pré-história da humanidade, mas tenho o condão de criar as condições objetivas para a minha própria superação. Estou morrendo, agonizando, e não me resta outra opção a não ser apelar para a reação, pois a classe trabalhadora já não consegue suportar o ônus dessa jornada. Pra falar a verdade, estou muito velho pra me sustentar, então que venha o novo. Não tenha medo dele...
Sim, desatar o futuro. Quem exige tal superação é o próprio estado de coisas: trata-se de uma necessidade histórica, objetiva. Mas a sua concretização depende da educação revolucionária, da vontade de lutar e da afirmação deste projeto através da força, da união e do trabalho coletivo.
O capitalismo não caíra por si só, será preciso derruba-lo.
A magnitude da crise que assola hoje as economias capitalistas do mundo confirma isso. Era evidente a impossibilidade de estender o padrão de consumo de uma família estadunidense para os restantes 06 bilhões da população planeta. O estabelecimento desse padrão de consumo só era mantido pelos créditos fáceis, com os quais através dos juros faziam a felicidade dos capitalistas(...) Agora os mesmos capitalistas que especulavam e com o suor dos trabalhadores conseguiam seus lucros, veem-se obrigados a redistribuir seus prejuízos nas costas do povo. Enquanto várias famílias norte-americanas não conseguem mais pagar as suas hipotecas e vão morar nos seus carros, trabalhadores começam a ser demitidos em todo o mundo, os governos burgueses injetam trilhões de dólares para salvar as imobiliárias e bancos da falência.
O desenvolvimento das forças produtivas cria as condições objetivas para a superação desta base miserável, em que se encontram os trabalhadores e trabalhadoras do mundo. Este desenvolvimento poderia ser ainda maior mediante abolição da propriedade privada dos meios de produção, e o controle racional num governo dos produtores livremente associados. O imperialismo, que aboliu a "livre concorrência", substituindo-a pelo poder incontrastável dos trustes e cartéis monopolistas, fez desaparecer a "chama vivificadora da concorrência", como Marx prognosticara no Capital, e Lênin constatara quando escreveu seu conhecido esboço popular, O imperialismo fase superior do capitalismo. A possibilidade objetiva de deter o próprio progresso técnico tornou-se realidade, razão pela qual Lênin sentiu a necessidade de ... Desatar o futuro. Infelizmente, a história não se desenvolve linearmente, e a burocratização do sistema soviético, depois do alijamento dos melhores quadros da revolução, acorrentou novamente os trabalhadores. Estes caíram em grilhões ainda mais pesados, feitos de ferro maciço forjado por operários, cujas jornadas no interior das smokestack industries ("fábricas de chaminé") eram tão extenuantes como em qualquer sociedade capitalista. É preciso recuperar a esperança de construir um mundo melhor, através da experiência da história e do conhecimento do atual estado de coisas...
Não há capitalismo organizado. As únicas coisas que ele é capaz de organizar são a exploração, a disciplina dentro dos muros da fábrica e seus aparelhos repressivos, como a polícia e o exército. Sequer a produção de mercadorias (submetida à anarquia do mercado) e a partilha do butim podem ser organizadas. Também os capitalistas matam uns aos outros. Quem pretender "humanizar a face do capitalismo" mediante reformas esbarrará em limites objetivos.
O capital não tem pátria. O Estado nacional, contraditoriamente, organiza a dominação de classe através do seu "comitê executivo", que administra os interesses comuns das frações burguesas. Nem pátria nem patrão, mas não há como acabar o poder sem antes tomá-lo de assalto.
Então, como desatar o futuro? Sejamos realistas, só pediremos o que for possível, conforme um "programa mínimo":
Nas fábricas: desatar o nó da gravata dos chefes e gerentes (meros cães-de-guarda da classe patronal), substituindo os "colarinhos brancos" e outros símbolos de poder – e o próprio poder – pela cooperação. Abolir os cargos burocráticos não-ligados à atividade diretamente produtiva. Eliminar os parasitas, ou seja, os proprietários e seus lacaios que formam a aristocracia operária. Ocupação, autogestão, conselhos de fábricas, abolição da divisão do trabalho, isonomia entre homens e mulheres, reduzir as jornadas de trabalho ao máximo para trabalhar todos e menos; submeter todo o processo produtivo ao controle racional dos trabalhadores, que regularão o metabolismo com a natureza com o menor emprego de força humana possível, como o mínimo desperdício e a maior eficiência. Usar o tempo livre de forma criativa: aprender a tocar um instrumento, viajar, dançar, amar, passear com a família e o cachorro, praticar esportes e estudar, discutir, deliberar, questionar, refletir;
A liberdade de cada um é a condição da liberdade de todos, em substituição da idéia burguesa de que "a liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro". Explosão de guaritas, colocar abaixo os muros de condomínios fechados, mudar nomes das ruas que homenageiam os patrões, milícia operária e popular em substituição da polícia burocratizada/militar/assassina/defensora da propriedade;
Nas escolas e universidades: desatar o conhecimento, expulsar a ignorância. Recriar o marxismo tirando-o das mãos dos liberais que esgotam suas ações revolucionárias. Voltar a produção de conhecimento aos trabalhadores torna-la pública de fato, expulsando os bancos, fundações e até mesmo a igreja que almejam impor as diretrizes do saber. Relação entre escola e empresa? Só se ambos estiverem sob controle dos produtores diretos. Ah, e já que pretendemos derrubar os muros que separam os países, acabar com as catracas nas universidades, sejam elas –as catracas – visíveis ou não. E não apenas levar a classe trabalhadora até a universidade, mas também levar a universidade até os trabalhadores; Desatar a Universidade para desatar a sociedade, não aceitar a formação que nos é imposta para dar continuidade a ordem sangrenta do capital, não ser o advogado que livra a cara das empreiteiras para não pagar direito e indenizações aos trabalhadores, sociólogos que teorizam em Ong´s a ilusão de um regime falido suavizando a exploração e opressão do povo pobre, historiadores que relatam a história do “branco vencedor” e do “negro derrotado”. Defender os trabalhadores nas suas lutas até as últimas circunstancias, denunciar para sociedade à ganância dos ricos que sustentam a miséria dos explorados. Defender o futuro próspero da humanidade sem idealismo, enfrentando aqueles que impedem que ele chegue!
Desatai o Futuro nº01
Rascunho de Manifesto do movimento A Plenos Pulmões frente à crise capitalista
O capitalismo parece estar à beira do abismo e arrastar a universidade (de classe) e a intelectualidade (de classe), e já está descarregando sua crise sobre as costas dos trabalhadores e da juventude. Mais do que nunca é urgente a necessidade de organizar-se para responder aos ataques e passar à ofensiva.
Que a crise seja paga pelos capitalistas!
Desatai o futuro!
Participe e divulgue a plenária do Movimento A Plenos Pulmões! Conheça! Construa!
O capitalismo dito “neoliberal” já despejou mais de 3 trilhões dos Estados (quase 10% do PIB mundial) em salvamento dos bancos e não consegue estabilizar-se. É que estamos frente a uma crise que é muito mais do que o estouro de uma bolha imobiliária, muito mais do que uma crise de crédito, mais do que uma crise do “neoliberalismo” ou de “mais uma crise cíclica”. Estamos frente a uma crise de patamares catastróficos e históricos, que se combina com uma crise política no seio do imperialismo hegemônico norte-americano em decadência, que além de tudo está imerso em guerras cada vez mais empantanadas no Iraque e Afeganistão.
Muito se discute sobre essa crise, mas o fato incontestável é que estamos no começo do começo de uma crise econômica profunda, a pior desde 29. Vejamos um significado pouco discutido dessa comparação. A Grande Depressão deu lugar a enormes convulsões econômicas, sociais e políticas. Como expressões mais agudas, temos por um lado os processos revolucionários na França e Espanha, e por outro o nazi-fascismo. Mas tudo isso não foi suficiente para que o imperialismo norte-americano consolidasse sua hegemonia, para isso, ele foi a maior guerra da história da humanidade que matou mais de 100 milhões e destruiu países inteiros.
Se vivemos uma crise econômica de tal magnitude, combinada com a decadência do imperialismo norte-americano, é para fenômenos dessa magnitude que temos que preparar-nos a partir de agora. Se essa crise catastrófica é um grande perigo porque o capitalismo não cai se não é derrubado, e a burguesia é capaz de arrastar o conjunto da humanidade para uma barbárie ainda maior que a que vivemos, é também uma grande oportunidade para aqueles que lutam pela transformação radical dessa sociedade decadente. As crises sempre dão lugar a processos de resistência e abrem a possibilidade do novo. Não foi assim só em 29. Em crises de magnitude muito menor, como por exemplo, a última de 2000-2003, teve lugar na América Latina processos de luta que derrubaram vários governos e mais de 40 países tiveram revoltas frente ao recente aumento dos alimentos.
É por isso que dizemos com toda segurança que as mobilizações que já estão ocorrendo em países como a Bélgica, Itália, México, Colômbia e outros. Essas são as primeiras respostas dos trabalhadores, os primeiros ensaios da luta de classes que está por vir como resposta ao intento declarado dos capitalistas de descarregar a crise sobre as costas dos trabalhadores do mundo com demissões em massa, ataques aos salários, roubo do dinheiro público (da educação, saúde, etc) para salvar os capitalistas da crise que eles geraram, e isso é só o começo!
Ao contrário da propaganda do governo, a crise já chegou e os trabalhadores e a juventude já começam a pagar a conta. A desvalorização do real (uma das moedas mais golpeadas do mundo) já é um ataque direto ao poder de compra dos salários, o governo já liberou bilhões dos recursos da educação, saúde, etc, para os bancos, já foram centenas de demissões na Zona Franca de Manaus, férias coletivas vem se tornando cada vez mais comuns, já voltou à pauta a "necessidade das reformas estruturais" e a "necessidade dos cortes nos gastos públicos", etc.
A juventude será particularmente atacada, já que ocupamos os trabalhos mais precários, os que mais sofremos com o desemprego, e veremos a educação sendo ainda mais destruída. Somos nós que juntamente aos trabalhadores terceirizados e precarizados, os negros e as mulheres, os que vamos ser os primeiros a sentir a crise. Por isso, queremos ser uma corrente que desde dentro da universidade e do movimento estudantil lute por uma aliança privilegiada com esses setores que são os mais expostos aos ataques, além de ser dentro da universidade a voz dos setores mais explorados e oprimidos da sociedade, levantando dentro dela suas justas demandas.
Mas não são somente as bolsas que caem, a recessão que se expande e tantos outros fenômenos econômicos e de resistência aos ataques. As convulsões do capitalismo, ou “derretimento sistêmico” nas palavras do FMI, está dando lugar a um fenômeno ideológico em setores cada vez mais amplos dos trabalhadores e da juventude que se questionam se o capitalismo funciona. Em algumas semanas ruíram uma ampla gama de ideologias e teorias propagadas desde os anos 90 como a do "fim da história", a "mão invisível do mercado" e tantas outras. Não à toa, vem se transformando em lugar comum a comparação da derrocada de Wall Street como “a queda do muro” do capitalismo. É verdade que a perspectiva do marxismo e da revolução ainda não é adotada como saída devido à que o resultado de 70 anos de stalinismo e 30 do chamado “neoliberalismo” onde a revolução foi completamente apagada da consciência das massas em patamares nunca antes conquistados pela burguesia, o que foi combinado com um ataque em regra ao marxismo, desfigurando-o e deturpando-o, e encontrando pouca e débil resistência por parte do marxismo academicista e da esquerda sindicalista. Porém, o que também é verdade é que o marxismo que era visto como uma coisa atrasada, em poucas semanas volta a ser tema de debate em todo o mundo, o que tem uma expressão concreta nos recordes de vendas de Marx e o Capital em vários países do mundo. Se os que se reivindicam marxistas foram incapazes de dar uma resposta à realidade e tirar o marxismo do isolamento colocando-o na ofensiva, a realidade está ajudando a mostrar a sua vigência.
A universidade escancara sua decadência histórica. Não poderia ser diferente se tratando de uma universidade de classe. Mais ainda no Brasil onde a universidade é das mais elitistas e racistas do mundo, tornando particularmente aguda a separação do conhecimento nela produzido e os limites impostos pelas amarras da propriedade privada. Se a crise econômica se discute em cada fábrica ou boteco, a universidade mostra sua falência ao não deixar entrar esse debate senão pela via dos ataques. Desde os mais seguros “neoliberais” de antes, passando pelos pós-modernos mais “requintados”, até os “marxistas” embebidos de ceticismo, todos dizem não ser especialistas ou repetem o senso-comum mais conservador e anti-científico. Algumas teorias que até algumas semanas atrás eram apresentadas como as grandes novidades, mostram seu anacronismo de forma contundente. Enquanto isso, o tão atacado como anacrônico marxismo, agora parece ter dado um xeque em todas as teorias inimigas que tentaram enterrá-lo. Como agentes reprodutores da ideologia burguesa decadente, os intelectuais não poderiam estar mais perplexos ou chocados, afinal, é seu prestígio de anos que está em questão. Preferirão ruir junto com a ideologia burguesa ou traçar um caminho auto-crítica e se ligarão aos trabalhadores e suas lutas? Será o ceticismo algo tão arraigado? Não sabemos. O que é certo é que sem uma nova geração de intelectuais marxistas revolucionários, essa ruptura será muito mais difícil e tortuosa. A juventude não carrega nas suas costas o peso das derrotas do passado e dos rios de tinta dos livros, artigos e pesquisas que parecem ter sido escritos em vão.
Quando a ideologia propagada nas recentes comemorações dos 40 anos do maio de 68 não era reacionária ou de uma mera “revolução cultural e sexual”, era, no melhor dos casos, envolta por um espírito saudosista no tom de “que bela a rebeldia daquela juventude, bons tempos aqueles”. Nós buscamos apontar outra perspectiva. Para nós, 68 não é uma lembrança do passado, mas um exemplo vivo cujas lições ganham maior energia frente ao capitalismo em ruínas. Nada mais atual do que “do questionamento da universidade de classes ao questionamento da sociedade de classes”, nada mais vigente do que a necessidade do movimento estudantil ser dentro da universidade a voz da maioria da sociedade, dos trabalhadores e do povo pobre. A necessidade de uma aliança estratégica entre estudantes e trabalhadores, que na universidade tanto nos disseram que não existe, mostrará sua necessidade e vitalidade. Nos juntemos aos trabalhadores para que a crise seja paga pelos capitalistas! Aliança operário-estudantil para barrar os ataques e passar à ofensiva! Viva 68 hoje!
É necessário abrir uma nova etapa no movimento estudantil brasileiro. As lutas desde o ano passado não foram nada mais do que os primeiros espasmos de um gigante adormecido, ainda carente de experiência, programa e estratégia capaz de levar às lutas a vitórias, nem no sentido corporativo, e muito menos para a sociedade. Ao contrário, a burocracia estudantil, com sua política, isolou ainda mais o movimento estudantil frente à sociedade, deixando nas mãos do governo a bandeira da “democratização da universidade” ao não levantar nenhum programa pela positiva que o desmascarasse. Mas as derrotas podem ser transformadas em fortalezas se são um caldo de cultivo para tirar lições profundas que preparem embates superiores. Enterremos o movimento estudantil dos 90 que ainda vive no século XXI por responsabilidade da burocracia estudantil que teme o novo! Pela auto-organização e por entidades militantes que atropelem a burocracia estudantil!
Nossa geração foi educada no individualismo mais tacanho. Uma grande parcela dos estudantes entraram e seguem entrando nas universidade com uma ilusão de ascensão social. Até mesmo aqueles estudantes que se reivindicam marxistas, se enfrentando corajosamente com toda a campanha contrária, em grande parte se adaptam à perspectiva academicista não estudando-o desde o prisma de intelectual orgânico da classe trabalhadora e vendo o marxismo como guia para a ação revolucionária, mas como uma “teoria a mais” e terminam se adaptando ao regime universitário.
A politização cada vez mais ampla na sociedade é só o começo da nova etapa internacional e nacional que se abre. É chegado o momento de superar o individualismo e se organizar para ter a satisfação de carregar um pedaço da história! Chamamos todos aqueles que simpatizam com as nossas idéias, muitos que já atuam conjuntamente conosco no movimento estudantil, ou que concordam com nossas idéias, mas ainda não decidiram se organizar ou não estão convencidos plenamente dessa necessidade, a participarem da plenária e construir junto conosco uma alternativa para a juventude e os trabalhadores.
O capitalismo parece estar à beira do abismo e arrastar a universidade (de classe) e a intelectualidade (de classe), e já está descarregando sua crise sobre as costas dos trabalhadores e da juventude. Mais do que nunca é urgente a necessidade de organizar-se para responder aos ataques e passar à ofensiva.
Que a crise seja paga pelos capitalistas!
Desatai o futuro!
Participe e divulgue a plenária do Movimento A Plenos Pulmões! Conheça! Construa!
O capitalismo dito “neoliberal” já despejou mais de 3 trilhões dos Estados (quase 10% do PIB mundial) em salvamento dos bancos e não consegue estabilizar-se. É que estamos frente a uma crise que é muito mais do que o estouro de uma bolha imobiliária, muito mais do que uma crise de crédito, mais do que uma crise do “neoliberalismo” ou de “mais uma crise cíclica”. Estamos frente a uma crise de patamares catastróficos e históricos, que se combina com uma crise política no seio do imperialismo hegemônico norte-americano em decadência, que além de tudo está imerso em guerras cada vez mais empantanadas no Iraque e Afeganistão.
Muito se discute sobre essa crise, mas o fato incontestável é que estamos no começo do começo de uma crise econômica profunda, a pior desde 29. Vejamos um significado pouco discutido dessa comparação. A Grande Depressão deu lugar a enormes convulsões econômicas, sociais e políticas. Como expressões mais agudas, temos por um lado os processos revolucionários na França e Espanha, e por outro o nazi-fascismo. Mas tudo isso não foi suficiente para que o imperialismo norte-americano consolidasse sua hegemonia, para isso, ele foi a maior guerra da história da humanidade que matou mais de 100 milhões e destruiu países inteiros.
Se vivemos uma crise econômica de tal magnitude, combinada com a decadência do imperialismo norte-americano, é para fenômenos dessa magnitude que temos que preparar-nos a partir de agora. Se essa crise catastrófica é um grande perigo porque o capitalismo não cai se não é derrubado, e a burguesia é capaz de arrastar o conjunto da humanidade para uma barbárie ainda maior que a que vivemos, é também uma grande oportunidade para aqueles que lutam pela transformação radical dessa sociedade decadente. As crises sempre dão lugar a processos de resistência e abrem a possibilidade do novo. Não foi assim só em 29. Em crises de magnitude muito menor, como por exemplo, a última de 2000-2003, teve lugar na América Latina processos de luta que derrubaram vários governos e mais de 40 países tiveram revoltas frente ao recente aumento dos alimentos.
É por isso que dizemos com toda segurança que as mobilizações que já estão ocorrendo em países como a Bélgica, Itália, México, Colômbia e outros. Essas são as primeiras respostas dos trabalhadores, os primeiros ensaios da luta de classes que está por vir como resposta ao intento declarado dos capitalistas de descarregar a crise sobre as costas dos trabalhadores do mundo com demissões em massa, ataques aos salários, roubo do dinheiro público (da educação, saúde, etc) para salvar os capitalistas da crise que eles geraram, e isso é só o começo!
Ao contrário da propaganda do governo, a crise já chegou e os trabalhadores e a juventude já começam a pagar a conta. A desvalorização do real (uma das moedas mais golpeadas do mundo) já é um ataque direto ao poder de compra dos salários, o governo já liberou bilhões dos recursos da educação, saúde, etc, para os bancos, já foram centenas de demissões na Zona Franca de Manaus, férias coletivas vem se tornando cada vez mais comuns, já voltou à pauta a "necessidade das reformas estruturais" e a "necessidade dos cortes nos gastos públicos", etc.
A juventude será particularmente atacada, já que ocupamos os trabalhos mais precários, os que mais sofremos com o desemprego, e veremos a educação sendo ainda mais destruída. Somos nós que juntamente aos trabalhadores terceirizados e precarizados, os negros e as mulheres, os que vamos ser os primeiros a sentir a crise. Por isso, queremos ser uma corrente que desde dentro da universidade e do movimento estudantil lute por uma aliança privilegiada com esses setores que são os mais expostos aos ataques, além de ser dentro da universidade a voz dos setores mais explorados e oprimidos da sociedade, levantando dentro dela suas justas demandas.
Mas não são somente as bolsas que caem, a recessão que se expande e tantos outros fenômenos econômicos e de resistência aos ataques. As convulsões do capitalismo, ou “derretimento sistêmico” nas palavras do FMI, está dando lugar a um fenômeno ideológico em setores cada vez mais amplos dos trabalhadores e da juventude que se questionam se o capitalismo funciona. Em algumas semanas ruíram uma ampla gama de ideologias e teorias propagadas desde os anos 90 como a do "fim da história", a "mão invisível do mercado" e tantas outras. Não à toa, vem se transformando em lugar comum a comparação da derrocada de Wall Street como “a queda do muro” do capitalismo. É verdade que a perspectiva do marxismo e da revolução ainda não é adotada como saída devido à que o resultado de 70 anos de stalinismo e 30 do chamado “neoliberalismo” onde a revolução foi completamente apagada da consciência das massas em patamares nunca antes conquistados pela burguesia, o que foi combinado com um ataque em regra ao marxismo, desfigurando-o e deturpando-o, e encontrando pouca e débil resistência por parte do marxismo academicista e da esquerda sindicalista. Porém, o que também é verdade é que o marxismo que era visto como uma coisa atrasada, em poucas semanas volta a ser tema de debate em todo o mundo, o que tem uma expressão concreta nos recordes de vendas de Marx e o Capital em vários países do mundo. Se os que se reivindicam marxistas foram incapazes de dar uma resposta à realidade e tirar o marxismo do isolamento colocando-o na ofensiva, a realidade está ajudando a mostrar a sua vigência.
A universidade escancara sua decadência histórica. Não poderia ser diferente se tratando de uma universidade de classe. Mais ainda no Brasil onde a universidade é das mais elitistas e racistas do mundo, tornando particularmente aguda a separação do conhecimento nela produzido e os limites impostos pelas amarras da propriedade privada. Se a crise econômica se discute em cada fábrica ou boteco, a universidade mostra sua falência ao não deixar entrar esse debate senão pela via dos ataques. Desde os mais seguros “neoliberais” de antes, passando pelos pós-modernos mais “requintados”, até os “marxistas” embebidos de ceticismo, todos dizem não ser especialistas ou repetem o senso-comum mais conservador e anti-científico. Algumas teorias que até algumas semanas atrás eram apresentadas como as grandes novidades, mostram seu anacronismo de forma contundente. Enquanto isso, o tão atacado como anacrônico marxismo, agora parece ter dado um xeque em todas as teorias inimigas que tentaram enterrá-lo. Como agentes reprodutores da ideologia burguesa decadente, os intelectuais não poderiam estar mais perplexos ou chocados, afinal, é seu prestígio de anos que está em questão. Preferirão ruir junto com a ideologia burguesa ou traçar um caminho auto-crítica e se ligarão aos trabalhadores e suas lutas? Será o ceticismo algo tão arraigado? Não sabemos. O que é certo é que sem uma nova geração de intelectuais marxistas revolucionários, essa ruptura será muito mais difícil e tortuosa. A juventude não carrega nas suas costas o peso das derrotas do passado e dos rios de tinta dos livros, artigos e pesquisas que parecem ter sido escritos em vão.
Quando a ideologia propagada nas recentes comemorações dos 40 anos do maio de 68 não era reacionária ou de uma mera “revolução cultural e sexual”, era, no melhor dos casos, envolta por um espírito saudosista no tom de “que bela a rebeldia daquela juventude, bons tempos aqueles”. Nós buscamos apontar outra perspectiva. Para nós, 68 não é uma lembrança do passado, mas um exemplo vivo cujas lições ganham maior energia frente ao capitalismo em ruínas. Nada mais atual do que “do questionamento da universidade de classes ao questionamento da sociedade de classes”, nada mais vigente do que a necessidade do movimento estudantil ser dentro da universidade a voz da maioria da sociedade, dos trabalhadores e do povo pobre. A necessidade de uma aliança estratégica entre estudantes e trabalhadores, que na universidade tanto nos disseram que não existe, mostrará sua necessidade e vitalidade. Nos juntemos aos trabalhadores para que a crise seja paga pelos capitalistas! Aliança operário-estudantil para barrar os ataques e passar à ofensiva! Viva 68 hoje!
É necessário abrir uma nova etapa no movimento estudantil brasileiro. As lutas desde o ano passado não foram nada mais do que os primeiros espasmos de um gigante adormecido, ainda carente de experiência, programa e estratégia capaz de levar às lutas a vitórias, nem no sentido corporativo, e muito menos para a sociedade. Ao contrário, a burocracia estudantil, com sua política, isolou ainda mais o movimento estudantil frente à sociedade, deixando nas mãos do governo a bandeira da “democratização da universidade” ao não levantar nenhum programa pela positiva que o desmascarasse. Mas as derrotas podem ser transformadas em fortalezas se são um caldo de cultivo para tirar lições profundas que preparem embates superiores. Enterremos o movimento estudantil dos 90 que ainda vive no século XXI por responsabilidade da burocracia estudantil que teme o novo! Pela auto-organização e por entidades militantes que atropelem a burocracia estudantil!
Nossa geração foi educada no individualismo mais tacanho. Uma grande parcela dos estudantes entraram e seguem entrando nas universidade com uma ilusão de ascensão social. Até mesmo aqueles estudantes que se reivindicam marxistas, se enfrentando corajosamente com toda a campanha contrária, em grande parte se adaptam à perspectiva academicista não estudando-o desde o prisma de intelectual orgânico da classe trabalhadora e vendo o marxismo como guia para a ação revolucionária, mas como uma “teoria a mais” e terminam se adaptando ao regime universitário.
A politização cada vez mais ampla na sociedade é só o começo da nova etapa internacional e nacional que se abre. É chegado o momento de superar o individualismo e se organizar para ter a satisfação de carregar um pedaço da história! Chamamos todos aqueles que simpatizam com as nossas idéias, muitos que já atuam conjuntamente conosco no movimento estudantil, ou que concordam com nossas idéias, mas ainda não decidiram se organizar ou não estão convencidos plenamente dessa necessidade, a participarem da plenária e construir junto conosco uma alternativa para a juventude e os trabalhadores.
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